Vorcaro nega à PF ter ordenado ações de violência da "Turma"

Investigação sobre grupo conhecido como “A Turma” entra na fase final após depoimentos do banqueiro e do pai dele

Por Da Redação
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Vorcaro nega à PF ter ordenado ações de violência da "Turma"

Foto: Reprodução

O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, negou ter determinado ações violentas contra desafetos durante depoimento à Polícia Federal nesta quarta-feira (30). O banqueiro é investigado por suspeita de envolvimento com “A Turma”, grupo que, segundo a PF, atuava como uma milícia privada a serviço dele.

No interrogatório, Vorcaro classificou como desabafos as mensagens nas quais discutia ações contra pessoas que contrariavam seus interesses. A defesa também afirmou que, após oito meses de investigação, não foram identificadas vítimas dos fatos apurados.

O empresário Henrique Vorcaro, pai do banqueiro e apontado pelos investigadores como possível operador financeiro do grupo, também foi ouvido nesta quarta. Ambos estão presos e prestaram depoimento por videoconferência. Daniel participou da unidade conhecida como Papudinha, em Brasília, enquanto Henrique falou do complexo prisional Nelson Hungria, em Contagem (MG).

Com os interrogatórios, o inquérito sobre "A Turma" entra na etapa final. A expectativa é que a PF encaminhe ao Supremo Tribunal Federal (STF), em outubro, o relatório com os possíveis indiciamentos, que podem incluir pai e filho.

Segundo a investigação, “A Turma” realizava vigilância, buscava informações sigilosas e promovia intimidação contra pessoas consideradas adversárias do Master. O grupo seria coordenado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, que morreu após uma tentativa de suicídio enquanto estava sob custódia da PF em Minas Gerais.

Mensagens extraídas do celular de Vorcaro embasam parte das suspeitas. Em uma conversa de agosto de 2024, Mourão sugeriu uma medida mais drástica contra Vladimir Timerman, fundador e gestor da Esh Capital que havia feito denúncias públicas contra o banqueiro. Vorcaro respondeu que a ação deveria incluir o advogado. O relatório não informa se alguma medida foi executada após o diálogo.

Outras conversas tratam de possíveis abordagens a ex-funcionários, reações a publicações sobre o banco e acesso a informações sobre procedimentos na PF, no Ministério Público Federal e na Polícia Civil de São Paulo.

Os investigadores também identificaram um núcleo chamado “Os Meninos”, que seria responsável pela atuação tecnológica do grupo. Seus integrantes são suspeitos de obter dados sigilosos, invadir dispositivos e participar de ações de coerção.

Em nota, os advogados Sergio Leonardo, Daniel Bialski e Engels Muniz negaram que Vorcaro tenha praticado ou ordenado violência, ameaças, perseguição ou intimidação:

"O investigado jamais praticou, determinou ou se envolveu em qualquer ato de violência, intimidação, perseguição ou ameaça contra quem quer que seja, fato que é reconhecido nos autos pelos próprios investigadores e pelas testemunhas já ouvidas".

A defesa pediu ainda a soltura do banqueiro, sob condições, para que aguarde a conclusão da investigação em liberdade. Segundo os advogados, os fundamentos da prisão preventiva deixaram de existir, e sua manutenção não pode ser motivada por razões políticas.

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