Trabalhadores são resgatados de condições análogas à escravidão em fazenda na Bahia
Trabalhadores viviam há 40 anos em casas de taipa, que não tinham banheiros e nem água potável.

Foto: Auditoria-Fiscal do Trabalho (SIT/MTE)
Onze trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão em uma fazenda de piaçava, no município de Nazaré, no Recôncavo Baiano. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (8); as ações foram deflagradas por Auditores Fiscais do Trabalho, vinculados à Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT/MTE).
De acordo com informações do MTE, alguns dos trabalhadores estavam trabalhando na propriedade há cerca de 40 anos e parte deles havia nascido e constituído família no local. Nenhum dos onze resgatados tinha registro formal.
Na fazenda foram encontradas casas construídas com barro e madeira, não possuíam banheiros, água potável e nem iluminação adequada. Alguns relataram que no passado já havia ocorrido desabamentos na região. Os trabalhadores chegavam a caminhar por horas por entre a plantação e as residências. Eles também não tinham equipamentos de proteção individual (EPIs) e relataram sofrer acidentes frequentes provocados por facões e a própria piaçava.
Ainda de acordo com dados do MTE, os pagamentos eram feitos exclusivamente por produção, o que fazia com que as pessoas precisassem trabalhar o máximo possível para obter uma renda mínima. Os trabalhadores também não podiam escolher para quem seria vendida a produção, toda a piaçava tinha que ser entregue obrigatoriamente ao empregador.
Após a ação dos auditores, os trabalhadores tiveram seus vínculos de emprego formalizados, com registro no eSocial a partir das respectivas datas de admissão, e os respectivos recolhimentos do FGTS e das contribuições previdenciárias. Também foi assegurado o recebimento das verbas trabalhistas dos respectivos contratos.



