Prada recupera liderança global e mostra como o desejo se transforma em valor no mercado de luxo!

Grife italiana registra alta de 55% na demanda e volta ao primeiro lugar do ranking Lyst após quase três anos.

Por Michel Telles
Às

Prada recupera liderança global e mostra como o desejo se transforma em valor no mercado de luxo!

Foto: Divulgação

A Prada voltou ao topo do ranking das marcas de moda mais desejadas do mundo, mas o dado mais interessante vai além da disputa com Chanel e Miu Miu. A grife italiana registrou um crescimento de 55% na demanda no terceiro trimestre de 2026 e recuperou a liderança do Lyst Index, posição que não ocupava desde o fim de 2023. O resultado ajuda a entender uma questão central para o mercado de luxo: o que faz uma marca continuar despertando desejo em um cenário de mudanças rápidas no comportamento do consumidor?

Para Tamara Lorenzoni, estrategista de marcas com atuação internacional e especialista em mercado de luxo, a resposta passa pela capacidade de construir uma identidade que o público reconhece, mas que não se torna previsível. “O consumidor pode se interessar por uma bolsa, uma coleção ou um desfile, mas o que mantém uma marca relevante é o conjunto. A Prada tem uma linguagem própria e consegue gerar interesse sem depender apenas de logotipos ou de produtos que viralizam. Esse é um trabalho estratégico: fazer com que as pessoas reconheçam o valor da marca mesmo quando ela apresenta algo novo”, analisa.

O desempenho de um produto ajuda a dimensionar esse fenômeno. A bolsa Wish Silk Duchesse Pouch, da Prada, liderou a lista de itens mais desejados do trimestre, com buscas quase 500% maiores na plataforma Lyst. O resultado mostra como uma peça pode concentrar a atenção do público, mas também levanta uma questão importante para as marcas: como transformar um pico de procura em interesse consistente pelo negócio como um todo? “Um produto pode abrir portas e aproximar a marca de novos consumidores, mas não sustenta sozinho uma reputação construída ao longo de décadas. O desafio é fazer com que esse interesse se conecte à história, à estética e à experiência que a grife oferece. No mercado de luxo, a atenção é importante, mas a percepção de valor precisa ir além do momento”, afirma Tamara.

A disputa pelo topo também evidencia que a liderança está longe de ser permanente. A Chanel ficou em segundo lugar, seguida pela Miu Miu, enquanto a Celine avançou cinco posições e entrou pela primeira vez no grupo das dez marcas mais bem colocadas. Para Tamara, os resultados mostram que tradição e desejo precisam caminhar juntos, mas não garantem, por si só, a preferência do consumidor. “Uma marca consolidada também precisa continuar interessante. Isso não significa mudar a cada temporada para acompanhar o que está em alta, e sim entender o que seu público valoriza e encontrar maneiras de renovar essa relação. O risco é confundir visibilidade com relevância. Aparecer muito não significa, necessariamente, construir valor”, diz a especialista.

O Lyst Index reúne dados de demanda de consumidores da plataforma, buscas, redes sociais e outros indicadores de descoberta. O ranking funciona como um termômetro do interesse pela moda no ambiente digital, embora não represente diretamente o volume global de vendas das marcas.

Na avaliação de Tamara, o caso da Prada oferece uma leitura importante para além da indústria fashion: marcas fortes não dependem apenas de um produto bem-sucedido, mas da capacidade de manter uma ideia clara na mente do público. “Chegar ao primeiro lugar é um resultado expressivo. O trabalho mais difícil começa depois: continuar despertando desejo sem perder a identidade. É isso que permite a uma marca atravessar tendências e preservar seu valor no longo prazo”, conclui.

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