Número de jovens aprendizes cai 25% no início de 2026 e acende alerta sobre primeiro emprego!
Dados do Ministério do Trabalho referentes ao primeiro bimestre mostram retração na aprendizagem, modelo que ajuda jovens a superar a falta de experiência, às vésperas do Dia do Jovem Trabalhador

Foto: ASCOM
No mês em que se celebra o Dia do Jovem Trabalhador, em 24 de abril, dados do Ministério do Trabalho sobre a inserção de jovens no mercado formal apontam uma queda de cerca de 25% no número de aprendizes entre 18 e 24 anos no primeiro bimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Em janeiro, o total de vínculos passou de 341.752 em 2025 para 255.456 em 2026. Em fevereiro, o movimento se repete, com recuo de 338.551 para 250.598.
Nesse cenário, a aprendizagem profissional se consolidou como um dos principais modelos estruturados de entrada no mercado para enfrentar a falta de experiência, ao permitir que jovens ingressem no mercado formal já com formação e prática profissional. Prevista em lei, a modalidade combina formação teórica com experiência prática e permite que jovens iniciem sua trajetória profissional com acompanhamento e desenvolvimento de competências.
A redução no número de aprendizes, portanto, impacta diretamente a principal alternativa para superar a falta de experiência. Com menos contratos ativos, diminui também o volume de oportunidades voltadas a jovens que ainda não tiveram a primeira experiência profissional.
“Quando esse número recua, o efeito aparece rápido no mercado. Esse jovem não deixa de buscar trabalho, mas passa a disputar vagas sem ter tido uma primeira experiência formal. Isso tende a empurrar a entrada profissional para caminhos mais precários ou mais demorados”, afirma Aline Ferreira, diretora da Demà, instituição que atua com programas de aprendizagem profissional em todo o país.
Segundo a especialista, a aprendizagem tem um papel essencial na organização dessa transição. “Diferente de outras formas de inserção, o modelo cria uma lógica de formação junto com o trabalho. Em programas estruturados, o jovem entra com acompanhamento, desenvolve competências e ganha repertório profissional. Quando esse fluxo diminui, a transição entre escola e trabalho fica mais desorganizada”, diz.
Na prática, programas de aprendizagem estruturam o primeiro acesso ao mercado ao integrar formação e experiência profissional desde o início. Esse modelo é adotado em diferentes contextos, inclusive em iniciativas públicas que inserem jovens em atividades formais com acompanhamento e desenvolvimento de competências, criando uma transição mais direta entre escola e trabalho.


