Lula avalia demonstração de esforço contra crime organizado na ONU
Segundo secretário do Itamaraty, presidente pode incluir tema em discurso

Foto: Ricardo Stuckert / PR
O presidente Lula (PT) deve abordar medidas tomadas pelo Brasil no combate ao crime organizado durante discurso de abertura na Assembleia Geral da ONU. O evento acontece no dia 22 de setembro, na sede da organização em Nova York.
Carlos Márcio Cozendey, secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Itamaraty, comentou a expectativa de que o presidente vai tratar o assunto diante de novas críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à atuação do Brasil na área. A declaração do secretário foi dada durante briefing à imprensa sobre a participação de Lula no evento.
"Imagino que ele [Lula] vai abordar esse assunto pelo aspecto do que o Brasil está fazendo nessa área e o grau de cooperação internacional que venha a existir", afirma.
Nesta quarta (16), Trump voltou a abordar o tema e afirmou que o governo brasileiro não tem enfrentado de forma suficiente as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC).
A tendência é que Lula mencione recentes acordos de cooperação internacional firmados junto a países vizinhos e até mesmo os EUA, para ampliar o trabalho conjunto.
"Com o próprio EUA temos cooperação de troca de informações e de busca de cooperação para permitir a responsabilização dessas entidades criminosas de maneira bastante constante", disse.
Cozendey mencionou ainda que deve ser negociado pelo Brasil um protocolo adicional na Convenção da ONU contra o "Crime Organizado Transnacional" para o combate de crimes ambientais.
Lula também deve destacar linhas tradicionais da política externa brasileira, como a defesa do multilateralismo, negociações de paz em conflitos, direito internacional humanitário e fortalecimento da ONU. Mencionando além disso, que o Brasil não aceitará interferências externas em assuntos internos.
O presidente deve chegar a Nova York no domingo (20). Na segunda-feira (21) a programação inclui agendas bilaterais, que ainda não está completamente definida. A reunião confirmada é com o diretor-geral da ONU, há também a previsão de que Lula se encontre com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani.
A comitiva também será reduzida. Até então, somente quatro ministros acompanharão o presidente. Estes são Mauro Vieira, chanceler brasileiro, Esther Dweck, ministra de Gestão Inovação, Sônia Guajajara, dos Povos Indígenas, e Raquel Barros, da Igualdade Racial. Celso Amorim, assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, também já consta na lista.


