Jaques Wagner volta a defender inocência e cita fala de Lula

"O presidente Lula gosta de dizer: 'Galego, só quem sabe o que você fez é você mesmo", disse o senador

Por FolhaPress
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Jaques Wagner volta a defender inocência e cita fala de Lula

Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

JOÃO PEDRO PITOMBO - O senador Jaques Wagner (PT) voltou a se dizer inocente e classificou como mentira as suspeitas apontadas na operação da Polícia Federal que apura pagamentos ligados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Em um ato político neste sábado (27) em Barreiras, cidade do oeste da Bahia, Wagner citou uma frase que teria ouvido do presidente Lula (PT) quando conversou com ele em meio à crise política.

"Eu estou muito tranquilo. O presidente Lula gosta de dizer: 'Galego, só quem sabe o que você fez é você mesmo.' Eu sei o que eu fiz e vou desmentir a mentira que estão tentando construir contra a minha pessoa. Vou desmontar essa mentira", afirmou o petista.

Na sequência, o senador afirmou que Lula "sofreu uma injustiça muito maior" ao ficar preso por 580 dias em condenação no âmbito da operação Lava Jato, cujas provas seriam anuladas em 2021.

Disse ainda que suas prioridades são provar a própria inocência e ajudar a reeleger Lula e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), além de se reeleger para o Senado e ajudar a eleger o ex-ministro Rui Costa (PT) para a Casa.

Jerônimo voltou a fazer uma defesa pública de Jaques Wagner e classificou como injustas as suspeitas que recaem sobre o senador.

"É muita injustiça. Na verdade querem pegar Lula primeiro e usam a gente o tempo inteiro para bater no Lula. Depois pegam uma pessoa que é um patrimônio nosso. Na história de Wagner, você nunca ouviu, em 20 anos, qualquer tipo de mácula aqui na Bahia que pudesse oferecer a ele um risco dizer que ele é desonesto", afirmou.

Jaques Wagner deixou nesta quarta-feira (24) o cargo de líder do governo no Senado. Ele resistia à ideia de deixar a liderança do governo, mas disse ter havido um "comum acordo". Sua saída foi consumada depois de reunião de cerca de duas horas com o presidente Lula (PT).

A fase da Operação Compliance Zero deflagrada pela PF na última semana apura suspeitas de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Além de Wagner, foram alvos Augusto Lima e Eduardo Sodré Martins, enteado de Wagner e secretário no governo Jerônimo Rodrigues (PT-BA).

Os investigadores identificaram um pagamento de R$ 3,5 milhões de uma empresa ligada a Lima ao "núcleo familiar" de Wagner, o que, segundo o ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, é uma das evidências de proximidade entre o parlamentar e o senador.

Wagner também teria recebido de Lima um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões, além de viagens gratuitas em jatinhos ligados ao Master, e ingressos para assistir a um show de uma "cantora internacional" em Los Angeles, em 2023.

Em endereços ligados ao senador, agentes da Polícia Federal encontraram US$ 55 mil e 33 mil euros (cerca de R$ 471 mil, em valores atuais).

Um dia depois de deixar a liderança do governo no Senado, Jaques Wagner afirmou à Folha de S.Paulo que reclamou com Lula sobre a atuação da Polícia Federal na operação da qual foi alvo, particularmente pela divulgação de foto com cédulas de moeda estrangeira apreendidas no apartamento onde vive em Brasília.

Para ele, a divulgação das imagens violou a orientação do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal) —que determinou que a busca e apreensão ocorresse "de forma discreta" pelo "caráter sigiloso da investigação".

Na entrevista, Wagner admitiu ter relação com o empresário Augusto Lima, ex-sócio do Master, e afirmou desconhecer governador ou prefeito que não se relacione com empresários.

Ele revelou que os valores pagos pelo Banco Master para a empresa de sua nora são maiores do que os R$ 3,5 milhões divulgados e defendeu que o dinheiro tem origem legal.

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