Em publicação, Gilmar Mendes age em defesa de Gonet e critica Mendonça

Ministro criticou exposição de mensagens entre o procurador-geral da República e o banqueiro Daniel Vorcaro

Por Da Redação
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Em publicação, Gilmar Mendes age em defesa de Gonet e critica Mendonça

Foto: Carlos Moura / STF | Victor Piemonte/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, publicou nota na rede social X, nesta quinta-feira (17), na qual prestou solidariedade ao Procurador-Geral da República, Paulo Gonet.

Na publicação, Mendes criticou duramente a condução do julgamento que analisou a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, ao comparar a atuação de parte da Corte à Lava Jato e classificar o episódio como "um linchamento coletivo" com fins eleitorais.

Durante a sessão plenária, na terça-feira (15), Gonet negou envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, e o ministro André Mendonça admitiu que não havia indícios contra a Procuradoria-Geral da República (PGR). Na ocasião, Gilmar interrompeu a fala de Mendonça para defender Gonet.

Em nota publicada no X, Gilmar exaltou a trajetória de Gonet e defendeu a idoneidade do procurador-geral. O ministro criticou a abordagem utilizada por Mendonça de derrubar o sigilo das conversas entre Vorcaro e Gonet, que segundo ele, não retratavam nada de ilícito.

Gilmar Mendes ainda afirmou que a exposição midiática do procurador-geral da República, embora tenha comprovado a idoneidade de Gonet, causa danos irreparáveis a imagem, e questionou as intenções de Mendonça ao quebrar o sigilo de mensagens que não apresentam teor ilícito.

Ainda em nota, Gilmar Mendes acusa Mendonça de agir como agente de campanha, e não como magistrado imparcial ao expor Gonet. Ele ainda faz uma ligação entre o episódio atual e a Operação Lava Jato, ao citar vazamentos próximos às eleições e às vésperas do 7 de Setembro para promover manifestações e "inflar as ruas".
 

Confira nota na íntegra:

"Paulo Gonet, Procurador-Geral da República, tem reputação ilibada e vida pública de lisura insuspeita. Isso nunca foi objeto de disputa: é reconhecido em todos os espectros, por quem concorda e por quem discorda dele. Mesmo assim, teve a honra injustamente manchada pelo levantamento do sigilo de conversas que nada de ilícito retratavam. E, naquele exato momento, o estrago à reputação já estava feito. Ninguém desfaz manchete com reparo tardio em plenário.

Ainda assim, assistimos na terça-feira a uma cena lamentável. Em plenário, o próprio relator reconheceu, em alto e bom som, a lisura da conduta de Gonet e admitiu que nada havia contra ele. Nada. Então por que expor? Quem atesta a honra de alguém só depois de tê-la arrastado pela praça pública não está corrigindo um erro: está confessando que ele era evitável.

E não foi só isso. A intenção de lucrar politicamente com o episódio ficou escancarada quando o relator fez publicar vídeo nas redes sociais agradecendo o apoio popular. Apoio a quê, exatamente? A um ato que ele mesmo admitiu não ter fundamento contra a pessoa exposta? Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral.

Já vimos esse filme. Na Lava Jato, Deltan Dallagnol e Sergio Moro transformaram vazamento seletivo em método. A ideia era sempre criar o fato consumado antes da ação penal, colher os dividendos políticos e deixar a defesa correndo atrás de um julgamento que a opinião pública já havia feito. Linchamento coletivo serve para esvaziar o direito de defesa e enterrar a presunção de inocência.

E, como na Lava Jato, a hora nunca é ao acaso. Lá, sigilos caíam a poucas semanas das eleições. Aqui, o levantamento apareceu às vésperas do 7 de Setembro, para inflar as ruas, arrancar dividendos políticos, sujar reputações e intimidar quem se opõe a esse método. No fundo, o alvo é o direito de defesa de pessoas contra as quais esses agentes nutrem algo que se parece muito mais com vingança do que com justiça.

Instituição séria respeita o devido processo desde o primeiro ato.

A Paulo Gonet, minha integral solidariedade. O Brasil e as instituições são devedores da coragem, da seriedade e da correção de homens como ele."
 

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