Defesa ao Pix e Mercosul: entenda críticas de Lula à carta de Flávio Bolsonaro para Trump

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil - Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, na quinta-feira (2), a carta enviada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em publicação nas redes sociais, Lula defendeu o Pix e Mercosul e disse que a atitude do adversário é "de traidores da Pátria".
O comentário ocorre após o senador pré-candidato a presidência pelo PL enviar ao governo dos EUA um documento oferecendo vantagens comerciais ao americanos. Juntamente com uma solicitação ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) pedindo o adiamento das tarifas impostas ao Brasil para depois das eleições, alegando que o 'tarifaço' acabou fortalecendo a campanha de Lula.
Flávio também criticou o Mercosul e disse desejar que o Brasil "se liberte das amarras" do bloco comercial sul-americano composto pelo Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia.
Em resposta, Lula disse ser inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, como fica claro no documento enviado hoje por um de seus integrantes ao governo norte-americano", escreveu.
"Nós sempre vamos dialogar de igual pra igual com qualquer nação do mundo. Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois.Como se não bastasse, querem entregar o Pix a interesses estrangeiros. Não vão conseguir. O Pix é uma conquista do Brasil e não vamos abrir mão dele. Nossa pátria não está à venda. Nossa soberania é inegociável. O Brasil é dos brasileiros", disse Lula.
Disputa pelo Pix
O Pix é o sistema de pagamento financeiro lançado pelo Banco Central (BC) e 2020. Atualmente, tem sido alvo de disputas pela ala governista e pela oposição. Os Estados Unidos acusa o Brasil de favorecer de forma indevida o Pix em detrimento de provedores americanos, o que configura uma prática desleal.
Em junho deste ano, o USTR, órgão americano responsável por formular e negociar a política comercial dos EUA, concluiu uma investigação e determinou que determinadas políticas brasileiras como o funcionamento do Pix, seriam "irracionais" ou "restritivas" ao comércio americano. O que justificaria a aplicação de um tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros.
Na última quarta-feira (1º), o Ministério das Relações Exteriores enviou um documento como resposta oficial à investigação. Assinado pelo chanceler Mauro Vieira, o texto diz que as críticas americanas ao Pix e não têm relação com comércio, e sim com divergências sobre as políticas internas brasileiras.
O governo brasileiro alega que o sistema financeiro é uma infraestrutura pública de acesso aberto, disponível para todas as empresas que cumpram os requisitos de participação, independente da origem do capital. Além de ter destacado que empresas americanas atuam no ecossistema do Pix, como a Visa.
O texto também compara o Pix e o FedNow, sistema de pagamentos instantâneos operado pelo banco central dos Estados Unidos. Segundo os argumentos apresentados, o fato de um banco central operar uma infraestrutura pública de pagamentos não caracteriza, uma prática comercial desleal.
A carta de Flávio Bolsonaro
O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro enviou nesta semana um documento em que oferecia aos Estados Unidos e vantagens comerciais omo a eliminação de tarifas para o etanol e a redução da carga tributária de empresas de cartão de crédito. O senador também diz no texto que Pix teria sido uma conquista do governo Bolsonaro e o compara com o FedNow.
Contudo, Flávio diz estar disposto a firmar "um compromisso legislativo" de que o Pix "não será conectado a arranjos de liquidação transfronteiriços não ocidentais", em referência à China. Também critica o Mercosul, que restringe negociações bilaterais. Na última terça-feira (30), o senador se encontrou com o presidente argentino Javier Milei.


