Cirurgia plástica não é filtro: redes sociais ampliam expectativas sobre resultados!
Aos detalhes...

Foto: Redes Sociais
Filtros, aplicativos de edição e imagens cuidadosamente produzidas passaram a ocupar um espaço importante na construção da imagem pessoal. No consultório de cirurgia plástica, esse universo digital também pode aparecer na forma de referências estéticas e expectativas que nem sempre correspondem às características anatômicas de cada paciente. O fenômeno acompanha um mercado de grandes proporções. A International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) realiza anualmente um levantamento global sobre procedimentos estéticos realizados por cirurgiões plásticos, refletindo a dimensão mundial desse segmento e as constantes transformações no comportamento de quem busca intervenções estéticas.
Para o cirurgião plástico Dr. Diego Gonzalez, a consulta pré-operatória ganhou ainda mais importância diante da quantidade de referências disponíveis nas redes sociais. “Hoje o paciente chega ao consultório com muitas imagens salvas no celular. Elas podem ajudar a explicar preferências, mas não devem funcionar como uma promessa de resultado. Cada pessoa tem uma anatomia, uma estrutura corporal, características de pele e uma forma própria de cicatrização”, explica.
O especialista chama atenção principalmente para imagens modificadas digitalmente. Filtros podem afinar o nariz, alterar contornos faciais, modificar proporções corporais e suavizar características da pele em poucos segundos. Na vida real, porém, uma cirurgia está condicionada a limites anatômicos e biológicos.“Cirurgia plástica não é filtro. Uma imagem pode ser transformada sem qualquer limite anatômico, enquanto o procedimento cirúrgico precisa respeitar segurança, proporções e características individuais. Parte importante do nosso trabalho é explicar essa diferença antes de qualquer decisão”, afirma Gonzalez.
Para ele, o problema não está necessariamente nas redes sociais, que também ampliaram o acesso à informação sobre procedimentos, técnicas e cuidados. A atenção deve estar na maneira como essas referências são interpretadas. Fotografias podem envolver iluminação, posicionamento, maquiagem, edição e ângulos que modificam significativamente a percepção do rosto e do corpo.
Nesse cenário, o alinhamento de expectativas torna-se uma etapa fundamental da consulta. Além do desejo do paciente, devem entrar na avaliação fatores como histórico de saúde, características anatômicas, qualidade da pele, cicatrização, riscos, recuperação e resultados possíveis para aquele caso específico. “Uma boa indicação não parte simplesmente da pergunta ‘o que você quer mudar?’. Precisamos entender por que aquela mudança é desejada e, principalmente, se aquilo que o paciente imagina é possível e seguro. Há situações em que ajustar a expectativa é tão importante quanto discutir a técnica cirúrgica”, ressalta.
Dr. Diego Gonzalez também reforça que naturalidade não significa ausência de transformação, mas respeito às proporções individuais. “O objetivo não deveria ser reproduzir um rosto ou um corpo visto em uma tela. A cirurgia deve partir da pessoa que está diante de nós. Quando desejo e realidade estão alinhados, a decisão se torna muito mais consciente”, conclui.

