Câncer de mama avança entre mulheres jovens e acende alerta sobre fertilidade!

Estimativa do INCA aponta 78,6 mil novos casos por ano no Brasil; congelamento de óvulos antes da quimioterapia pode ser feito em duas semanas, sem adiar o tratamento oncológico

Por Michel Telles
Às

Câncer de mama avança entre mulheres jovens e acende alerta sobre fertilidade!

Foto: Divulgação

O câncer de mama segue como o tumor mais incidente entre as mulheres brasileiras. A publicação "Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil", do Instituto Nacional de Câncer (INCA), do Ministério da Saúde, projeta 78.610 novos casos por ano no país, o equivalente a 30% de todos os diagnósticos de câncer em mulheres. No Nordeste, onde a doença também lidera a incidência feminina, o risco estimado é de 58,02 casos a cada 100 mil mulheres. Por trás do número consolidado, há um movimento que preocupa especialistas: embora a maior parte dos diagnósticos ainda ocorra após os 50 anos, cresce a proporção de casos em mulheres abaixo dos 40. É uma faixa etária em que muitas pacientes ainda não tiveram filhos ou não concluíram o planejamento familiar, e em que o tratamento oncológico passa a ter um efeito colateral que raramente entra na conversa do consultório: o impacto sobre a fertilidade.

Quimioterapia e radioterapia agem sobre células de multiplicação rápida, e os folículos ovarianos estão entre os alvos atingidos. O resultado pode ser a redução da reserva ovariana, a menopausa precoce ou a infertilidade definitiva, a depender do esquema terapêutico, da dose e da idade da paciente. "Quando uma mulher de 32, 35 anos recebe o diagnóstico, o mundo dela se organiza em torno de uma única palavra, que é cura. É absolutamente compreensível. Mas existe uma vida depois do tratamento, e o nosso papel é garantir que ela chegue lá com escolhas preservadas", afirma a Dra. Genevieve Coelho, Diretora Médica do IVI Salvador.

A principal técnica indicada nesses casos é a criopreservação de óvulos, popularmente conhecida como congelamento. O procedimento envolve estimulação ovariana, coleta e vitrificação dos óvulos maduros, que ficam armazenados até que a paciente receba alta do oncologista e decida engravidar. Um ponto costuma surpreender quem chega à clínica pela primeira vez: a estimulação pode começar em qualquer fase do ciclo menstrual, o que reduz o processo a cerca de duas semanas. "Esse é o principal mito que a gente precisa derrubar neste Outubro Rosa. Preservar a fertilidade não atrasa o tratamento do câncer. Em duas semanas a paciente completa o ciclo de coleta e segue para a quimioterapia no prazo definido pela equipe de oncologia", explica a médica.

A recomendação, reforça ela, é que a conversa aconteça o quanto antes. "O encaminhamento precisa vir junto com o diagnóstico, não depois da primeira sessão. Cada semana conta, e é uma janela que não reabre".

Outubro Rosa

Instituído no Brasil pela Lei nº 13.733/2018, o Outubro Rosa nasceu nos Estados Unidos, na década de 1990, quando a Fundação Susan G. Komen for the Cure distribuiu laços cor-de-rosa aos participantes da primeira Corrida pela Cura. No Brasil, o marco inicial foi 2002, com a iluminação em rosa do Obelisco do Parque Ibirapuera, em São Paulo.

Desde então, a campanha se consolidou em torno do diagnóstico precoce, agenda que a Dra. Genevieve considera indissociável da discussão sobre fertilidade. "Diagnóstico precoce e preservação da fertilidade são a mesma conversa. Quanto mais cedo o tumor é identificado, mais cedo essa mulher chega até nós e melhor é o prognóstico reprodutivo dela. O Outubro Rosa não é só sobre sobreviver ao câncer, é sobre o que vem depois".

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