Câmara convoca Mauro Vieira para explicar alerta sobre ação militar dos EUA
Chanceler terá comparecimento obrigatório após documento polêmico do Itamaraty

Foto: Mateus Oliveira/MRE
A Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (8), a convocação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para prestar esclarecimentos sobre um documento enviado à Casa em que cita o risco de uma ação militar dos Estados Unidos contra o Brasil.
A referência à "possibilidade de uso da força militar dos Estados Unidos em território brasileiro" foi feita após o governo norte-americano classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Como se trata de uma convocação, o comparecimento de Mauro Vieira é obrigatório. Pela legislação, a ausência sem justificativa pode configurar crime de responsabilidade.
Durante a votação, a base do governo tentou transformar a convocação em convite, modalidade em que a presença do ministro é facultativa, mas a oposição rejeitou a proposta.
Na terça-feira (7), a Comissão de Relações Exteriores do Senado também aprovou um convite para ouvir o chanceler sobre o mesmo assunto.
Documento enviado à Câmara
O documento que motivou a convocação foi encaminhado pelo Itamaraty em resposta a um requerimento de informações apresentado pelo deputado Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES).
No texto, Mauro Vieira afirma que a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pelos Estados Unidos pode abrir espaço para medidas unilaterais por parte do governo norte-americano, incluindo, em tese, o uso da força militar em território brasileiro.
Resposta do governo dos Estados Unidos
O Departamento de Estado dos EUA classificou de "absurda" a fala de Mauro Vieira sobre possível ação militar americana no Brasil após classificação de PCC e CV como terroristas.
Segundo a diplomacia norte-americana, a medida tem como único objetivo combater facções brasileiras que passaram a atuar nos Estados Unidos e não tem relação com uma eventual intervenção no Brasil.


