Advogado investigado com Flávio Bolsonaro por lavagem de dinheiro movimentou R$ 5 bilhões em bets e fez apostas milionárias
Fazenda aponta falhas na Blaze após advogado movimentar R$ 5 bilhões em apostas e ser investigado pela Polícia Federal

Foto: Reprodução | Redes Sociais
O advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), movimentou cerca de R$ 5 bilhões em apostas na plataforma Blaze ao longo de 2025. As informações foram divulgadas pelo UOL, que também aponta depósitos superiores a R$ 258 milhões e saques próximos de R$ 200 milhões no período.
Investigado pela Polícia Federal (PF), junto com Flávio, por suspeita de lavagem de dinheiro, Willer é alvo de apuração no Supremo Tribunal Federal (STF). Uma das hipóteses investigadas é a de que ele seja sócio oculto da Blaze, possibilidade que ainda não foi comprovada.
Uma nota técnica da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda, aponta falhas no monitoramento das operações do advogado pela plataforma, apesar dos valores movimentados. Em 30 de outubro de 2025, Willer depositou R$ 7 milhões na Blaze, divididos em 14 transferências de R$ 500 mil. No dia seguinte, retirou R$ 6 milhões em um intervalo de apenas 18 minutos.
Em outra movimentação, registrada em 11 de novembro, o advogado realizou 12 apostas em cinco minutos, que somaram mais de R$ 5 milhões. Ao longo de 2025, foram contabilizadas 629 apostas individuais de R$ 500 mil ou mais.
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O documento da Fazenda questiona se operações dessa magnitude poderiam ser consideradas típicas. A secretaria também destaca que movimentações elevadas podem levantar suspeitas de lavagem de dinheiro mesmo quando o apostador registra perdas.
Entre os pontos identificados estão possíveis sinais de fracionamento de depósitos e saques, além da hipótese de uso de ferramentas automatizadas para realizar apostas.
A defesa de Willer, porém, nega essas práticas. Os advogados afirmam que ele nunca utilizou sistemas automatizados nem dividiu operações com o objetivo de contornar mecanismos de controle.
Fazenda aponta falhas no monitoramento da Blaze
De acordo com a nota técnica, a Blaze manteve Willer classificado como cliente de risco médio durante todo o ano de 2025. Para a Secretaria de Prêmios e Apostas, os próprios critérios da empresa permitiriam enquadrá-lo em uma categoria de risco mais elevada, inclusive diante de uma prisão anterior do advogado sob suspeita de corrupção.
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Outro ponto destacado pela Fazenda é que a plataforma considerava depósitos superiores a R$ 50 mil um fator de risco. As movimentações de Willer ultrapassaram esse patamar em mais de cinco mil vezes, segundo o documento.
Apesar dos valores, a Blaze comunicou ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), em 2025, apenas sete operações suspeitas. Todas envolviam apostas inferiores a R$ 1.000.
Para a secretaria, as transações milionárias do advogado não foram submetidas à análise necessária.
O órgão também questionou informações prestadas pela empresa ao regulador. Em março de 2025, a Blaze afirmou que monitorava as operações por meio de ferramentas automatizadas. Em dezembro, porém, admitiu que não dispunha desse recurso. A Fazenda ponderou que a informação incorreta pode não ter sido intencional.
A nota técnica apontou indícios de culpa ou dolo da empresa e recomendou a abertura de um processo administrativo, com possibilidade de aplicação de multa. Também sugeriu avaliar uma eventual suspensão temporária das atividades.
Defesa nega irregularidades
Em nota, a defesa de Willer afirmou que os recursos utilizados nas apostas têm origem lícita, constam da declaração apresentada à Receita Federal e são compatíveis com os rendimentos do advogado.
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Os representantes também argumentaram que o volume total apostado inclui sucessivas reapostas dos mesmos valores. Dessa forma, segundo a defesa, o montante movimentado não corresponde necessariamente a dinheiro novo.
Os advogados ainda questionaram a divulgação dos dados. Em manifestação, declararam que “causa estranheza que um documento técnico de órgão federal, contendo dados protegidos por sigilo, chegue à imprensa justamente em período eleitoral”.
Advogado perdeu R$ 133 milhões na Blaze
Willer afirma ser viciado em jogos de azar. Na sexta-feira (16), a Justiça de São Paulo negou o pedido do advogado para recuperar R$ 133,2 milhões que ele alegou ter perdido na Blaze.
Na ação judicial, ele se descreveu como “o apostador de maior perda da plataforma” e afirmou ter solicitado o bloqueio da própria conta, sem que a empresa atendesse ao pedido.
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O juiz considerou contraditória a conduta do advogado, que havia solicitado à plataforma mesas exclusivas com apostas de até R$ 500 mil.
Willer também acusou a Blaze de realizar pagamentos de R$ 6 milhões por meio de 400 transferências de R$ 15 mil. Na avaliação dele, a divisão dos valores se assemelharia a uma prática utilizada para contornar mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro.
Entre os jogos utilizados pelo advogado estavam modalidades de cassino ao vivo, como bacará e blackjack. Ele chegou a utilizar uma mesa exclusiva de blackjack, chamada Blaze VIP Blackjack.
Willer também movimentou milhões na 7K
Além da Blaze, o advogado depositou R$ 1,3 milhão na 7K, marca do grupo Ana Gaming. Na plataforma, apostou R$ 4,8 milhões e sacou R$ 426 mil, conforme os dados obtidos pela reportagem.
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A empresa teve R$ 631 milhões em bens bloqueados pela Justiça Federal durante a Operação Narco Bet, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A defesa de Willer afirmou que ele foi cliente da 7K como qualquer outro apostador e que não possui vínculo societário, comercial ou pessoal com a empresa ou seus controladores. Também declarou que o advogado não é alvo da Operação Narco Bet.
A Ana Gaming informou que não comenta processos sob segredo de Justiça nem se manifesta sobre clientes ou suas operações. A empresa ressaltou que os dados dos apostadores são protegidos por sigilo e pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), além de afirmar que atua em conformidade com a legislação e as regras do setor.
Deflagrada em outubro de 2025, a Operação Narco Bet resultou na prisão de 11 pessoas suspeitas de lavar dinheiro do tráfico internacional por meio de criptomoedas e plataformas de apostas. Entre os presos estava o influenciador Buzeira, solto em agosto de 2026.
O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) manteve o bloqueio dos bens do grupo controlado pelo empresário Nickolas Ribeiro, citando fortes indícios de lavagem de dinheiro.
PF investiga relação entre Willer e Flávio Bolsonaro
A Polícia Federal também apura se Flávio Bolsonaro atuou com Willer em um suposto esquema de lavagem de dinheiro. O caso está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, no STF. O senador classificou a investigação como “fake news”.
Uma reportagem anterior revelou que os dois chegaram a compartilhar uma conta no banco Santander, conforme e-mails apreendidos pela PF.
Em maio de 2025, uma funcionária de Willer pediu que a conta identificada como “Flávio Bolsonaro” fosse desassociada do “usuário master” vinculado ao advogado.
A existência dessa movimentação bancária integra as informações relacionadas ao caso, mas não comprova, por si só, a participação do senador em eventuais crimes. A investigação segue sob apuração.


