Estudo da Unesp aponta que inalação controlada de ar rarefeito pode ajudar pacientes com Parkinson
Pesquisa identificou alterações em marcadores associados à inflamação

Foto: Movi-Lab/Unesp
Um estudo da Universidade Estadual Paulista (Unesp) apontou que a exposição controlada ao ar com baixa concentração de oxigênio pode contribuir para o tratamento complementar da doença de Parkinson. A pesquisa identificou alterações em hormônios e marcadores ligados à inflamação, sem efeitos negativos sobre o sono.
A técnica, chamada de hipóxia intermitente, consiste em alternar períodos de respiração com pouco oxigênio e intervalos com ar normal. O estudo, publicado na revista Parkinsonism & Related Disorders, contou com 30 voluntários, sendo 15 diagnosticados com Parkinson.
Durante o experimento, os participantes passaram por uma sessão de 39 minutos, com períodos de exposição ao ar contendo 10% de oxigênio, concentração equivalente à encontrada a cerca de 5.800 metros de altitude.
Os resultados mostraram redução temporária dos níveis de cortisol, associado ao estresse, e de leptina, relacionada ao metabolismo e saciedade e que em excesso favorece a inflamação. Também foi registrado aumento da adiponectina, substância com ação anti-inflamatória que normalmente fica desregulada na doença de Parkinson, que permaneceu elevado por até 24 horas.
Os pesquisadores observaram ainda que a técnica não prejudicou a qualidade do sono nem provocou alterações em indicadores sanguíneos avaliados para verificar a segurança do procedimento.
"Uma única sessão de hipóxia intermitente não alterou parâmetros gerais do sono [como número de despertares ou tempo para adormecer], tanto nas pessoas com doença de Parkinson quanto nos voluntários saudáveis", disse Murilo Henrique Faria, primeiro autor do estudo e bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
Segundo Fabio Barbieri, coordenador do Laboratório de Pesquisa em Movimento Humano (Movi-Lab) e do projeto de extensão Ativa Parkinson, os resultados são preliminares e precisam ser confirmados em estudos com mais participantes e sessões prolongadas.
A equipe ressalta que a técnica não representa uma cura para o Parkinson e não deve substituir medicamentos ou exercícios físicos. A expectativa é investigar seu potencial como tratamento complementar para a doença, que afeta cerca de 11 milhões de pessoas no mundo.
O estudo intitulado como "The acute effects of a single session of intermittent hypoxia on blood biomarker concentrations and sleep parameters in people with Parkinson’s disease: A randomized, double-blind, crossover trial" pode ser lido em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1353802026007492.


