Vinho em alta: bebida pode se tornar o novo hype do verão brasileiro!

Bernardo Baggio, sócio e fundador da maior rede de bares de vinho do Brasil, explica como o consumo da bebida vem crescendo no país

Por Michel Telles
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Atualizado
Vinho em alta: bebida pode se tornar o novo hype do verão brasileiro!

Foto: Divulgação

O vinho vem deixando de ser visto como uma bebida reservada apenas para lareiras e jantares de gala. Com o paladar brasileiro passando por uma transformação, o que antes era visto como um produto elitizado e sazonal, restrito aos meses de inverno, está conquistando as mesas — e as calçadas — sob o sol do verão. Segundo a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), o consumo de vinhos no Brasil entre 2022 e 2023 aumentou 11,6%, na contramão do resto do mundo em que o consumo diminuiu 2,6% globalmente.

“Essa mudança cultural reflete um amadurecimento do mercado e, principalmente, uma nova forma do consumidor se relacionar com a bebida. Se antes o vinho era ‘complicado’, hoje ele busca a simplicidade do cotidiano”, explica Bernardo Baggio, sócio e fundador do Vino!, a maior rede de bares de vinho do Brasil.

Além disso, a ideia de que o vinho não combina com o calor está em transformação. De acordo com dados do Vino!, a busca por opções aumenta exponencialmente quando os termômetros sobem.

“O consumo de vinhos brancos, espumantes, rosés e tintos leves chega a triplicar nas unidades da rede durante a estação. O volume total de vendas no período de verão tem apresentado uma alta de 15% ao ano nos últimos três anos. Buscamos mostrar ao público que o vinho é perfeito para todo tipo de ocasião e clima, e essa versatilidade tem sido a chave para quebrar a barreira da sazonalidade”, explica Baggio. 

Modelo de wine bar favorece a experimentação

Um dos maiores obstáculos para a popularização do vinho sempre foi o preço e o compromisso de comprar uma garrafa inteira sem conhecer o rótulo. O modelo de wine bar, com o serviço em taça, é um divisor de águas para essa cultura.

“Ao permitirmos no Vino! que o cliente prove diversos rótulos pagando apenas o proporcional, a rede busca democratizar o acesso. Essa facilidade de testar é o que permite ao consumidor descobrir, por exemplo, um tinto leve que harmoniza com um prato da preferência, sem o receio de investir em algo que não lhe agrade”, explica o sócio.

Segundo Baggio, outra mudança vem ocorrendo no comportamento do consumidor. Se antes o vinho exigia uma refeição completa e pratos individuais, hoje ele faz parte de uma experiência mais cotidiana: o happy hour.

“A tendência agora é o consumo acompanhado de petiscos, tábuas de frios e porções para compartilhar. É a transposição da ‘cultura do boteco’ para o universo do vinho. Em vez de uma etiqueta rígida, o que se vê são pessoas buscando descontração, momento no qual a bebida é o fator comum”, comenta o fundador.

Apesar dos avanços, o setor ainda encara um desafio: tornar o vinho tão onipresente na rotina de lazer do brasileiro quanto a cerveja. Para o Vino!, essa barreira será rompida à medida que a percepção de inacessibilidade for substituída por momentos reais de diversão e preços justos.

“Nossa missão hoje é consolidar o vinho não como um evento especial, mas como a escolha natural para bons momentos, boa música e conversas despretensiosas. O Brasil, ao que tudo indica, finalmente descobriu que o melhor vinho é aquele que se bebe com prazer, independentemente da temperatura lá fora”, conclui Baggio.

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