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Suposto dono de empresa ligada a pagamentos para ministra do STM admite ser “laranja”, diz coluna

“Dono” de firma que pagou R$ 700 mil a Verônica Sterman, do STM, admitiu à Polícia ter vendido dados para abertura do CNPJ.

Por Da Redação
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 Suposto dono de empresa ligada a pagamentos para ministra do STM admite ser “laranja”, diz coluna

Foto: Reprodução/STM

A Polícia Civil de São Paulo investiga a empresa ACX ITC Serviços de Tecnologia, citada em relatório da CPMI do INSS como parte de uma suposta rede de lavagem de dinheiro ligada ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. 

A firma também aparece relacionada à Victory Trading, empresa sancionada recentemente pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por suspeita de ligação com o PCC. As informações são do colunista Andre Shalders, do portal Metrópoles. 

Segundo a investigação, o escritório da ministra do Superior Tribunal Militar (STM), Verônica Sterman, recebeu R$ 700 mil da ACX ITC no fim de 2024. O pagamento foi identificado em um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) referente ao período entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, antes da posse da advogada como ministra da Corte.

O caso ganhou novos desdobramentos após o suposto proprietário da empresa, Ericsson de Azevedo, afirmar em depoimento à Polícia Civil que seria apenas um “laranja”. Segundo ele, em 2021 vendeu seus dados pessoais por R$ 5 mil para a abertura do CNPJ da empresa. 

O homem relatou ainda que recebia R$ 1 mil em dinheiro sempre que precisava assinar documentos relacionados à companhia, mas disse desconhecer o conteúdo dos papéis e as pessoas envolvidas.

Morador do bairro do Jaçanã, na zona norte de São Paulo, Azevedo afirmou viver da produção de pipas, rabiolas e da venda de rifas, com renda mensal de cerca de R$ 1 mil. Apesar disso, a ACX ITC possui capital social declarado superior a R$ 100 milhões.

Em depoimento prestado à polícia, ele contou que a negociação para uso de seus dados ocorreu em um campo de futebol próximo de sua residência, motivada por dificuldades financeiras.

De acordo com o relatório final da Operação Saturno, conduzida pela Polícia Civil paulista, a ACX ITC apresenta “fortes indícios de envolvimento com recursos oriundos do tráfico”. A investigação aponta que a empresa movimentou R$ 918,3 milhões e seria integrante de uma estrutura voltada à ocultação de recursos ilícitos.

Questionada anteriormente sobre os pagamentos, Verônica Sterman afirmou que os valores recebidos correspondem à elaboração de três pareceres jurídicos sobre temas criminais relacionados às atividades da empresa. A assessoria da ministra foi novamente procurada pelo Metrópoles, mas não respondeu até o momento.

A ACX ITC também realizou pagamentos ao escritório do ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Nefi Cordeiro. Segundo relatório do Coaf enviado à CPMI do INSS, foram identificados repasses que somam R$ 595 mil entre 2023 e 2024, incluindo um cheque de R$ 150 mil sacado pelo ex-ministro após sua saída da Corte.

O relatório final do inquérito foi encaminhado à Justiça e ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) em 12 de maio. O MP defendeu o envio do caso à Justiça Federal. 

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