Site diz que ACM Neto usa Caiado para não ter que assumir Bolsonaro
Portal destaca que oposição tenta evitar polarização em estados onde Lula possui vantagem

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O apoio ao ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD) à Presidência da República tem sido percebido por candidatos ao governo em estados nordestinos, onde o presidente Lula (PT) possui maior popularidade, como uma estratégia para evitar um embate direto entre o lulismo e o bolsonarismo, de acordo com informações do portal Terra.
Um dos candidatos ao governo que adota a estratégia é ACM Neto (União Brasil) na Bahia, assim como o candidato a chefia Executiva Estadual do Ceará, Ciro Gomes (PSDB).
Segundo avaliação feita por interlocutores políticos dos dois estados, mesmo que o nome de Caiado surja com remota intenção de voto nas pesquisa eleitorais, é possível a abrangência de várias correntes da direita, do centro e da esquerda, sem que ocorra o confronto direto entre Lula e Bolsonaro.
O portal Terra destaca que a estratégia ficou mais clara depois do lançamento da candidatura de Neto ao governo da Bahia. Mesmo que o candidato tenha declarado publicamente o apoio a candidatura de Caiado para o Planalto, a chapa de ACM possui aliados que defendem o nome de Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência, a exemplo do senador Angelo Coronel (Republicanos) e do ex-ministro e candidato ao Senado, João Roma (PL).
Já no Ceará, Ciro ainda promoverá o lançameto oficial da campaha no Estado, mas já cogita apoiar Ronaldo Caiado para a Presidência. Da mesma forma que ocorre com Neto na Bahia, Ciro também tem dois bolsonaristas que deverão concorrer ao Senado. Alcides Fernandes (PL), pai do deputado federal André Fernandes (PL) e o Capitão Wagner (União).
Tanto na Bahia quanto no Ceará, os dois candidatos concorrerão com governadores que tentam a reeleição pelo PT, apoiados pelo presidente Lula.
Interlocutores do PT consideram que a estratégia de ACM Neto e Ciro encare certas dificuldades durante a campanha. Eles consideram que em campanhas pelo interior do estado, aliados dos candidatos deverão pedir votos diferentes para os presidenciáveis, o que pode provocar uma visão de aliança sem total concordância política.
Por outro lado, fontes da oposição discordam da avaliação petista. Eles imaginam que o apoio de Caiado aumenta e não limita o potencial eleitoral voltado para as candidaturas. Interlocutores consideram que Caiado ainda tem certo desconhecimento entre eleitores locais, o que pode diminuir uma possível rejeição por parte de eleitores de Lula, ocasionando uma escolha diferente de candidato ao governo.
A análise considera que a estratégia deve ser voltada para uma "estadualização" da campanha, concentrando o debate na comparação entre gestões e com isso evitando que a eleição para governador seja ofuscada pela disputa presidencial.
Existe ainda uma análise que mediante o avanço das campanhas e o aumento da polarização nacional, a pressão para candidatos manifestarem os apoios à Presidência tornem mais difícil promover diferentes nomes.


