Renault Niágara chega em novembro às lojas com motor 1.3 turbo e até opção 4x4
Picape derivada do Boreal será produzida na Argentina

A Renault Niagara será um dos lançamentos mais importantes da nova fase da fabricante na América do Sul. Desenvolvida sobre a plataforma global RGMP, a picape média já está em produção na Argentina e terá as vendas iniciadas no Brasil em novembro, com opções de câmbio manual ou automático e tração 4x2 ou 4x4.
A novidade faz parte do plano da Renault de apresentar 14 veículos na região até o final da década. Com 4,91 metros de comprimento e cabine dupla, a Niagara entrará no concorrido segmento liderado pela Fiat Toro, no qual também encontrará Ram Rampage e Ford Maverick. A disputa ficará ainda mais acirrada com a chegada da BYD Mako e, em março de 2027, da Volkswagen Tukan.
O R7 Autos Carros conheceu a picape de perto e constatou que o modelo aposta em um estilo mais esportivo e sofisticado que o das caminhonetes tradicionais. A estratégia é combinar a capacidade de carga de uma picape com o conforto e os equipamentos de um SUV.
“Vai oferecer a versatilidade da picape com o conforto de um SUV premium do segmento C”, afirma Rafael Grabosa, responsável pela área de produto da Renault.
Visual arrojado é uma das marcas da Niagara
A dianteira exibe o nome Renault escrito por extenso sobre uma faixa preta brilhante, acompanhada por elementos pixelados, formas tridimensionais e uma assinatura luminosa própria. A parte inferior recebe um aplique cinza que simula uma proteção metálica, enquanto a linha de cintura elevada reforça a sensação de robustez.
“Na frente, a marca Renault aparece letra por letra, com pontos pixelados sobre uma base preta brilhante, elementos pentadimensionais, skid plate cinza e uma assinatura luminosa facilmente identificada pelo cliente. As proporções transmitem uma forte impressão de tamanho”, explica Daniel Nozaki, diretor de design da Renault para a América do Sul.
Nas laterais, destacam-se as maçanetas traseiras embutidas nas colunas C e o santantônio integrado à carroceria. Esse elemento acompanha o desenho ascendente da linha de cintura e ajuda a criar uma transição mais fluida entre a cabine e a caçamba.
A traseira também segue uma proposta elevada e robusta, mas sem recorrer aos exageros visuais comuns em algumas picapes. A versão Outsider será ligeiramente maior, chegando a 4,94 metros de comprimento. A Niagara terá ainda 1,83 metro de largura, 1,71 metro de altura e 233 milímetros de distância livre do solo.
Interior inspirado no Renault Boreal
A proximidade com o Boreal fica ainda mais evidente dentro da cabine. A Niagara terá quadro de instrumentos digital de 10,2 polegadas e uma central multimídia OpenR Link de 10,1 polegadas, com Google integrado, comandos de voz e conexão sem fio para smartphones.
O console central elevado concentra o seletor eletrônico do câmbio, com formato de joystick, e um comando giratório para os modos de condução. Nas versões com tração integral, como a Outsider, o motorista também poderá acessar pela central multimídia as informações e os ajustes destinados à condução fora de estrada.
A picape poderá oferecer até sete modos de condução personalizáveis pelo sistema Multi-Sense, além de controle de descida. A lista de assistência à condução reunirá até 26 recursos, incluindo frenagem autônoma de emergência dianteira e traseira, câmeras com visão de 360 graus, monitoramento de pontos cegos e controle de cruzeiro adaptativo.
O console terá ainda um compartimento refrigerado. Para os passageiros traseiros, a Renault promete 200 milímetros de espaço para as pernas, medida que, segundo a fabricante, será a melhor da categoria. Haverá também saídas exclusivas do ar-condicionado.
Outra solução funcional está no banco traseiro, cujo assento poderá ser levantado em um ângulo de até 25 graus. O recurso cria uma área interna adicional para transportar mochilas, ferramentas e outros objetos protegidos dentro da cabine.
Motor 1.3 turbo flex terá 160 cv
O conjunto mecânico inicial da Renault Niagara já está definido. A picape utilizará o mesmo motor 1.3 turbo flex do Boreal, com potência de até 160 cv. Diferentemente do que chegou a ser cogitado, o modelo não terá sistema híbrido ou assistência elétrica leve no lançamento. Uma configuração eletrificada deverá ficar para o fim de 2027.
A gama será formada por versões com câmbio manual e tração dianteira, além de configurações automáticas com tração 4x2 ou 4x4. A transmissão automática será automatizada de dupla embreagem, enquanto a força chegará ao eixo traseiro por meio de um cardã nas variantes com tração integral.
Segundo a Renault, será a primeira combinação de câmbio de dupla embreagem e tração 4x4 entre as picapes monobloco de seu segmento. A fabricante ainda não divulgou os números de torque nem os dados completos de desempenho e consumo.
A Niagara também herdará do Boreal a suspensão traseira independente do tipo multilink. A solução deverá proporcionar um comportamento mais próximo ao de um SUV, principalmente no asfalto, sem abandonar a capacidade necessária para enfrentar estradas de terra e situações de menor aderência.
Caçamba comporta até 938 litros
A caçamba terá capacidade volumétrica de até 938 litros, enquanto a carga útil poderá chegar a 654 kg. A cobertura rígida desenvolvida para o compartimento promete proteger a bagagem contra água e poeira.
A picape também poderá rebocar até 710 kg. Os números mostram uma proposta mais voltada ao uso misto, incluindo lazer, viagens e rotina urbana, do que ao trabalho pesado tradicionalmente associado às caminhonetes com chassi separado.
A primeira impressão da Renault Niagara é positiva. O modelo reúne um desenho bem resolvido, interior tecnológico, suspensão independente e a importante opção de tração 4x4, disponível em concorrentes como Fiat Toro, Ram Rampage e Ford Maverick.
Por outro lado, a ausência de uma versão híbrida no lançamento poderá pesar diante de novidades como a BYD Mako e a Volkswagen Tukan. A eletrificação chegará posteriormente, enquanto a Renault inicia sua ofensiva apostando em uma fórmula mais convencional: motor turbo flex, bom nível de equipamentos e tração integral para tentar conquistar espaço em uma das categorias mais disputadas do mercado brasileiro.



