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Relatório da PF aponta extensão de articulações de Vorcaro com políticos brasileiros

Documento cita Ciro Nogueira, Hugo Motta e Jaques Wagner

Por Da Redação
Às

Relatório da PF aponta extensão de articulações de Vorcaro com políticos brasileiros

Foto: Reprodução | Roque de Sá/Agência Senado | Vaner Casaes/Alba | Youtube/ Agência Senado

O relatório da Polícia Federal, no âmbito da Compliance Zero, que se tornou público na terça-feira (16) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso, abriu espaço para novos desdobramentos que revelaram a extensão das articulações do controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, com políticos brasileiros.

A documentação cita viagens internacionais, hospedagens de luxo e outras vantagens obtidas por parlamentares influentes do Congresso Nacional, bancadas por Vorcaro.

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) é um dos citados. Em mensagens privadas obtidas pela PF, ele é reverenciado por Vorcaro como um “grande amigo de vida”. Nogueira aparece entre os alvos da apuração e foi alvo de mandado de busca e apreensão autorizado pelo STF em maio.

Investigadores indicam que, enquanto atuava no Senado em pautas de interesse do Banco Master, o senador pelo PP recebia benefícios financeiros e outras vantagens custeadas por Vorcaro, como pagamentos mensais descritos como "mesadas", que podiam ultrapassar R$ 500 mil, somando cerca de R$ 6 milhões entre 2024 e 2025.

O presidente nacional do Progressistas ainda teria recebido demais vantagens, como custeio de viagens internacionais, incluindo voos em jatos particulares, participação societária em empresas, despesas com eventos e restaurantes de alto padrão e hospedagens em hotéis de luxo.

Em troca dos favores, a PF afirma que Ciro atuava no Senado em pautas que favorecem o Banco Master e Vorcaro, como na Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, conhecida como Emenda Master. A proposta previa a ampliação do limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, o que favoreceria o Master, que sustentava grande parte dos negócios através do FGC.


Hugo Motta

Embora não seja investigado pela Polícia Federal, o relatório aponta para possíveis vantagens obtidas pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), relacionadas a Vorcaro.

Um dos episódios destacados é a viagem a Lisboa, em junho de 2024, quando Ciro Nogueira teria dividido um jato particular do ex-banqueiro com Motta. Investigações da Polícia Federal evidenciaram mensagens no celular de Vorcaro que indicam que o ex-banqueiro providenciou reservas de hotel na capital portuguesa para “Ciro e Hugo”.

Segundo a PF, cinco diárias teriam custado cerce de 3 mil euros, aproximadamente R$ 18 mil, e uma fatura encontrada no e-mail de Vorcaro confirma o pagamento. O documento ainda mostra a contratação de “2x Jr. Suítes”, atribuídas a Ciro Nogueira e Hugo Motta.

Em resposta, Motta afirmou ter "muita tranquilidade" em relação às citações no documento e afirmou possuir relações "corretas e institucionais". O presidente da Câmara ainda defendeu que o encontro ocorreu em evento corporativo e jurídico realizado em Lisboa, já no exercício da presidência da Câmara e acrescentou não ter tomado conhecimento de qualquer irregularidade envolvendo o ex-banqueiro.

Demais mensagens encontradas no celular de Vorcaro mostram que Motta teria solicitado ao ex-banqueiro a liberação de um empréstimo no Master, destinado a uma empresa ligada à cunhada, Bianca Araújo Medeiros. As mensagens teriam sido trocadas em março de 2024, antes de Motta assumir o comando da Câmara.

O recurso teria sido utilizado na compara de um terreno no município de João Pessoa, na Paraíba, onde está previsto o desenvolvimento de um novo bairro. Motta defendeu que todos os trâmites acerca do empréstimo ocorreram de forma legal e que no período, o banco estava autorizado a funcionar.


Jaques Wagner

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), foi alvo de mandados de busca e apreensão durante nova fase da Compliance Zero, na quinta-feira (18), sob suspeita de ter recebido vantagens indevidas, através de pessoas ligadas a Vorcaro, para atuar em defesa de interesses do Master no Congresso, como a Emenda Master.

A mesma operação também teve como alvo o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, que foi preso em novembro de 2025, e posteriormente liberado com uso de tornozeleira eletrônica. A PF aponta que Augusto mantinha contato com Jaques Wagner através de um canal recorrente de interlocução.

As primeiras vantagens atribuídas ao senador, segundo a PF, incluem viagens em aeronaves particulares vinculadas a Augusto Lima e ao Banco Master, ainda em 2023. Em junho do mesmo ano, Wagner teria recebido ingressos para um show da cantora Taylor Swift, em Los Angeles, ao custo de R$ 63 mil, segundo informado na coluna de Mirelle Pinheiro, do Portal Metrópoles.

As investigações ainda apontam para a negociação de um apartamento de luxo em um empreendimento em construção em Salvador, no qual, em novembro de 2024, Wagner teria encaminhado a Augusto Lima o contato do gerente da construtora, informando a unidade e o valor de R$ 2,45 milhões. A PF defende que o processo teve participação de David Lopes Monteiro, suposto operador ligado a Vorcaro.

A corporação ainda revelou repasses que seriam destinados a Wagner no valor total de R$ 3,5 milhões. As transferências partiram de uma empresa dirigida por Andrea Lima Novaes, prima de Augusto Lima, para a BN Financeira, empresa ligada ao núcleo familiar de Jaques Wagner.

Por meio de nota, a defesa de Wagner nega que o senador tenha atuado em favor do Banco Master e destaca que ele não é  réu e nem foi formalmente denunciado por envolvimento no caso.

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