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Por que o metrô de Salvador ainda não adotou vagões exclusivos para mulheres? Entenda

Após novo caso de importunação sexual, deputada cobra aprovação de projeto na Alba

Por Ane Catarine Lima
Às

Atualizado
Por que o metrô de Salvador ainda não adotou vagões exclusivos para mulheres? Entenda

Foto: Divulgação/CCR

O metrô de Salvador ainda não adota vagões exclusivos para mulheres por falta de regulamentação específica para esse tipo de medida no sistema e por discussões jurídicas sobre a competência para definir esse modelo de operação.

O tema voltou ao debate nesta sexta-feira (12), após a deputada estadual Olívia Santana (PCdoB) cobrar celeridade na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) para a aprovação de um projeto de lei de sua autoria sobre o assunto.

A cobrança ocorreu depois da repercussão do caso de um homem de 22 anos preso em flagrante por importunação sexual, na quinta-feira (11), suspeito de ejacular na roupa de uma passageira durante uma viagem no metrô de Salvador.

“Isso é um absurdo! O metrô e o futuro VLT precisam ser espaços seguros para as mulheres, assim como os ônibus. Apresentei um projeto de lei que está tramitando na Assembleia Legislativa da Bahia e peço aos colegas celeridade na aprovação”, afirmou.

Foto: Divulgação/Alba

Segundo a parlamentar, o projeto de lei é uma forma de ampliar a proteção das mulheres no transporte público, especialmente nos horários de maior movimento.

“O meu projeto permite a criação de vagões específicos para mulheres nos horários de pico. Quando o metrô está lotado, essas situações acontecem. Chega de tanta importunação. É uma nojeira, uma violência absurda e inaceitável. Isso é incompatível com todas as conquistas que nós, mulheres, já tivemos”, reforçou a deputada.

 Lei municipal está suspensa

A discussão sobre a criação de vagões exclusivos para mulheres não é nova em Salvador. O prefeito Bruno Reis (União Brasil) chegou a sancionar a Lei Municipal nº 9.835/2025, de autoria da vereadora Marta Rodrigues (PT), que previa medidas para reforçar a segurança feminina no transporte público.

Entre elas estavam:

•Vagões exclusivos: o sistema metroviário ficaria obrigado a reservar carros específicos apenas para mulheres;
•Horários de pico: a exclusividade seria aplicada nos dias úteis, das 6h às 9h e das 17h às 20h.

A legislação, no entanto, foi suspensa por decisão liminar do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) um dia antes da data prevista para entrar em vigor.

O tribunal atendeu a um pedido da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), entidade que representa as empresas do setor. 

Os desembargadores entenderam que, embora a finalidade da lei seja legítima, a Câmara Municipal e a Prefeitura não têm competência para regulamentar o metrô, já que o sistema atende Salvador e Lauro de Freitas e, por isso, está sujeito à legislação estadual ou federal.

O que diz a CCR Metrô?

Diante desse cenário, o Farol da Bahia questionou a CCR Metrô, responsável pela operação do sistema metroviário, se recorreu da decisão judicial ou se considera outros meios para implementar o vagão exclusivo.

Em nota, a empresa afirmou apenas que a legislação que previa vagões exclusivos para mulheres está suspensa por decisão judicial e que  qualquer outra declaração deveria partir da ANPTrilhos.
 

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