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PF investiga se mulher que dirigiu 14 empresas é ‘laranja’ de advogado ligado a Flávio Bolsonaro

Lídia Mazelli nega irregularidades, enquanto a defesa de Willer Tomaz afirma que ela exerceu funções administrativas de forma regular.

Por Da Redação
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PF investiga se mulher que dirigiu 14 empresas é ‘laranja’ de advogado ligado a Flávio Bolsonaro

Foto: reprodução | Redes Sociais

A Polícia Federal (PF) investiga se Lídia Maria Figueira Mazelli atuava como suposta “laranja” do advogado Willer Tomaz, apontado como um dos amigos próximos do senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo informações do ICL Notícias, Lídia aparece como administradora de ao menos 14 empresas ligadas ao advogado, embora seu perfil profissional e sua rotina tenham levantado dúvidas quanto a isso.

Uma fonte da PF afirmou que “tudo indica” que Lídia atuava como “laranja”. A suspeita é de que, apesar de constar formalmente como responsável pelos negócios, ela não exercesse de fato o controle das empresas.

A defesa de Lídia e de Willer Tomaz nega a acusação. Em nota, afirmou que ela é formada na área de administração, possui registro profissional e desempenhou regularmente as funções para as quais foi contratada. O advogado declarou desconhecer a existência de uma investigação oficial sobre o caso.

Mulher mudou versão sobre relação com advogado

Em 24 de setembro, a reportagem do ICL Notícias localizou Lídia em um prédio comercial no Riacho Fundo, região administrativa do Distrito Federal, a cerca de 20 quilômetros do centro de Brasília.

Na ocasião, ela afirmou que trabalhava no local como empregada doméstica, negou conhecer Willer Tomaz e disse desconhecer que seu nome aparecia à frente de empresas ligadas ao advogado.

“Acho que teve alguma confusão aí. Eu nem trabalho lá. Eu sou doméstica aqui”, declarou, segundo a reportagem.

Após a publicação da investigação jornalística, Lídia apresentou outra versão. Ela negou ter trabalhado como empregada doméstica e afirmou ser formada em administração de empresas.

Em nota, disse que trabalha desde 2010 como gerente administrativa, com carteira assinada, e que passou por empresas de serviços, escritórios de advocacia e negócios de consultoria e aviação ligados ao grupo de Willer Tomaz. Segundo ela, o vínculo profissional terminou em junho de 2026.

Mansão de R$ 10 milhões e ilha estão entre os negócios citados

Entre os empreendimentos que teriam sido administrados por Lídia estão bens de alto valor ligados ao advogado. A lista inclui uma mansão avaliada em R$ 10 milhões, em Angra dos Reis (RJ), que foi alvo de disputa judicial com o jogador Richarlison, e uma ilha anunciada por R$ 17 milhões na mesma região.

Também aparecem nas informações divulgadas um hangar de luxo em Brasília e uma empresa responsável pelo processamento de pagamentos de casas de apostas credenciadas pelo governo do Rio de Janeiro.

A PF também apura suspeitas relacionadas às movimentações financeiras de Tomaz e a possíveis operações com apostas on-line.

Segundo informações publicadas pelo portal Metrópoles, o advogado movimentou quase R$ 5 bilhões em apostas em 2025. Em um processo na Justiça de São Paulo, ele se declarou ludopata e pediu o ressarcimento de R$ 163 milhões a uma casa de apostas.

Tomaz também foi alvo da Operação Sem Desconto, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Conforme a reportagem, investigadores o apontaram como um possível articulador financeiro, patrimonial e logístico de beneficiários do esquema.

Advogado declarou R$ 217,8 milhões em lucros e dividendos

De acordo com os dados citados pelo ICL Notícias, o advogado declarou à Receita Federal ter recebido R$ 217,8 milhões em lucros e dividendos em 2024 e 2025.

Os valores correspondem aos bens e direitos declarados por ele como pessoa física. A declaração patrimonial também inclui imóveis de alto padrão em Brasília, investimentos no Brasil e no exterior, carros de luxo e R$ 1 milhão em dinheiro vivo.

Parte dos negócios e dos imóveis do advogado aparece relacionada à sua proximidade com Flávio Bolsonaro.

Segundo informações do ICL Notícias, Tomaz emprestou dois imóveis ao senador: uma casa em Angra dos Reis, onde Flávio comemorou o aniversário da filha em fevereiro, e um apartamento em São Paulo utilizado durante a campanha presidencial. As publicações também apontaram conexões entre os imóveis e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Relação com Flávio Bolsonaro inclui viagens e atuação jurídica

A proximidade entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz é pública desde 2021. Durante a CPI da Covid, o senador se referiu ao advogado como “meu amigo Willer Tomaz”.

Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, a Polícia Federal identificou ao menos cinco viagens internacionais feitas pelos dois no primeiro semestre de 2025. Em janeiro daquele ano, eles viajaram à Flórida e retornaram a Brasília em um jatinho ligado a Daniel Vorcaro, que também tinha participação na aeronave.

Apesar de negarem sociedade ou negócios em comum, Flávio e Tomaz atuam na defesa de um mesmo cliente em uma disputa de R$ 159 milhões no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A reportagem também relaciona a rede de contatos do advogado à abertura do escritório de advocacia de Flávio em Brasília, em 2021. Em entrevista à Agência Pública, Letícia Caetano dos Reis afirmou que foi indicada por Tomaz para administrar o negócio do senador. Na época, o advogado negou a informação.

Letícia é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, sócio de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Alexandre também é proprietário da Voga Serviços Contábeis, empresa responsável pela contabilidade de negócios de Flávio.

Outra ligação citada pelo ICL Notícias envolve a Bravo Grafeno, fabricante de capacetes da qual o senador é sócio. Segundo a publicação, a empresa divide uma sala comercial em Brasília com ao menos 16 companhias relacionadas ao “Careca do INSS”, além de utilizar o mesmo escritório de contabilidade.

Em manifestação anterior, Willer Tomaz afirmou que sua relação com Flávio Bolsonaro é “estritamente pessoal, não havendo entre nós qualquer relação profissional ou empresarial”.

O que diz a defesa de Willer Tomaz e Lídia Mazelli

Em nota enviada à reportagem, a defesa negou que Lídia tenha atuado como “laranja” em empresas ligadas ao advogado. Segundo o posicionamento, ela possui formação na área administrativa, registro no respectivo conselho profissional e exerceu efetivamente as funções para as quais foi contratada.

Willer Tomaz afirmou desconhecer qualquer investigação oficial relacionada aos fatos e declarou que não comenta especulações sem respaldo factual.

A defesa também informou que o Instituto Conhecimento Liberta (ICL) é alvo de medidas judiciais nas esferas cível e criminal por publicações que considera caluniosas e difamatórias. Acrescentou que há uma investigação criminal em andamento para apurar a conduta dos jornalistas Paulo Motoryn e Alice Maciel, vinculados ao instituto, por suposta perseguição reiterada contra Lídia.

O ICL, por sua vez, informou que ainda não havia sido notificado sobre a existência de investigação ou processo relacionado às acusações mencionadas pela defesa.

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