PF identifica que perito criminal criou arquivos contra Moraes e Toffoli que vazaram à imprensa
Segundo as investigações, João Cláudio Nabas usou informações a partir de dados extraídos do celular de Vorcaro

Foto: Rosinei Coutinho/STF
A Polícia Federal identificou que o perito criminal João Cláudio Nabas criou dois arquivos com referências aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), a partir de dados extraídos do celular do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Segundo a investigação da corporação, além de produzir os documentos, Nabas também teria sugerido a colegas da PF que o conteúdo fosse vazado à imprensa.
De acordo com apuração do Estadão, as conclusões fazem parte do inquérito que foi aberto por determinação do ministro André Mendonça para apurar o vazamento de informações sigilosas obtidas a partir do celular de Vorcaro.
O ministro expediu ordens de mandado de busca e apreensão contra o agente em maio, durante a 7ª fase da Operação Compliance Zero, e resultou no afastamento de Nabas por suspeita de violação de sigilo funcional.
“De fato criou os documentos relacionados aos magistrados e a análise dos metadados e conteúdos de tais manuscritos reforçaram os indícios de que Nabas organizou e repassou à imprensa os dados sigilosos referentes às informações sobre os ministros do STF encontrados no celular apreendido de Daniel Vorcaro”, relatou a Polícia Federal na representação enviada a Mendonça.
Os investigadores também registraram que Nabas procurou nos dados “supostos elementos desabonadores de Ministros desta Suprema Corte, com o intuito comprovado de publicizar tais informações por meio da imprensa nacional”.
Conforme os registros internos da PF, João Cláudio Nabas acessou a extração do celular de Vorcaro em 1º de dezembro e, três dias depois, produziu os arquivos intitulados "Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf”.
Um dos arquivos incluía trechos de um contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master e a advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes.


