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PF aponta servidora da Câmara como principal peça no esquema de desvio de emendas ligado a Valdemar Costa Neto

Mariângela Fialek, conhecida como "Tuca", manipulava documentos para ocultar participação de ex-deputado

Por Da Redação
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Atualizado
PF aponta servidora da Câmara como principal peça no esquema de desvio de emendas ligado a Valdemar Costa Neto

Foto: Reprodução/ Linkedin

A investigação da Polícia Federal (PF), que bloqueou R$ 119,2 milhões atribuídos ao ex-deputado Valdemar Costa Neto, mostra que a servidora da Câmara dos Deputados, Mariângela Fialek, tinha grandes responsabilidades dentro de um esquema de manipulação de emendas parlamentares.

De acordo com o relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a servidora, conhecida como "Tuca", era o "personagem principal" de um "arranjo funcional informal" criado para operacionalizar indicações de emendas em nome de Valdemar Costa Neto, que não poderia indicar recursos do orçamento por exercer mandato parlamentar.

A PF afirma que as principais informações da investigação foram retiradas do celular de Mariângela. Segundo o relatório, o conteúdo contido no aparelho revelou a existência de um "arranjo decisório paralelo" para destinação de verbas públicas. Ademais, o dispositivo reforçou o que os investigadores classificam como falta de rastreabilidade e transparência na distribuição das emendas parlamentares.

Ligação com Costa Neto

As apurações da PF ainda revelam que as mensagens extraídas do telefone de Tuca indicam que ela era acionada por pessoas ligadas a Valdermar. No conteúdo do aparelho, o ex-deputado aparecia como responsável pela definição de emendas, embora não exercesse mandato parlamentar.

Entre essas pessoas, está o advogado Garigham Amarante, apontado pela PF como pessoa de confiança de Valdemar Costa Neto. Em uma das conversas checadas, Amarante informa a Tuca que Valdemar pretendia destinar cerca de R$ 24 milhões para a área do Turismo. Logo em seguida, ela passa a organizar recebimento desses recursos, segundo as investigações. Outro papel da servidora era ocultar a participação de Valdemar no esquema. Para isso, listas encaminhadas aos ministérios eram modificadas para constar deputados federais com mandato como solicitantes de emendas.

De acordo com os investigadores, o objetivo era impedir que o nome de Valdemar aparecesse nos documentos oficiais, já que ele não poderia indicar recursos orçamentários.

A PF também encontrou conexões entre Mariângela e Valdemar em planilhas no celular e na sala de trabalho da servidora. Os documentos identificavam recursos como "do Valdemar" ou "do VCN", referência às iniciais de Valdemar Costa Neto.

No celular de Tuca também havia registros de conversas sobre a destinação dos recursos. Em agosto de 2025, outra troca de mensagens revelou que interlocutores de Valdemar pedem a Mariangela que destine "o máximo que der" para a área do Turismo. Segundo a investigação, ela passa então a organizar a alocação de aproximadamente R$ 24 milhões.

Com os elementos apresentados pela Polícia Federal, o STF determinou o bloqueio de R$ 119,2 milhões e suspendeu o pagamento das 21 emendas sob investigação.

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