Marido de PM baleada na cabeça é indiciado por feminicídio e fraude processual
Corpo da vítima foi exumado e examinado

Foto: Reprodução
O esposo da policial militar morta com um tiro na cabeça, foi indiciado por feminicídio e fraude processual nesta terça (17).
Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, é tenente-coronel da Polícia Militar. A prisão do acusado foi solicitada à Justiça, com aval do Ministério Público de São Paulo. A Corregedoria da PM também pediu a prisão.
A decisão ocorre após laudos sobre o caso, emitidos pela Polícia Técnico-Científica, serem anexados ao processo. Em dois deles, foram encontrados indícios da trajetória da bala que atingiu a vítima e a profundidade dos ferimentos achados, fatores determinantes para pedido da prisão.
Com estes fatores, o delegado concluiu que a vítima, a policial militar Gisele Alves Santana, não se suicidou. Documentos confirmaram também que ela não estava grávida e que não foi dopada, mas haviam manchas de sangue dela espalhadas por outros cômodos do apartamento onde o caso aconteceu.
O laudo toxicológico também não indicou o consumo de drogas ou bebidas. Para concluir o inquérito, a delegacia aguarda resultados complementares do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC). Novas informações devem esclarecer a dinâmica do disparo.
O caso aconteceu na manhã do dia 18 de fevereiro. O corpo de Gisele foi exumado e o laudo apontou que haviam lesões em seu rosto e pescoço. Também foram identificados sinais que ela desmaiou antes de ser baleada na cabeça e que não apresento defesa.
O documento afirma que as lesões eram "contundentes" e feitas "por meio de pressão digital e escoriação compatível com estigma ungueal", arranhões que indicam marcas de unhas. A informação é da TV Globo.
Gisele, de 32 anos, foi encontrada morta no apartamento onde morava com o marido em São Paulo. Ele estava no local e foi quem acionou o socorro. A defesa de Geraldo Leite ainda não se manifestou sobre o resultado do laudo.
O caso foi inicialmente registrado como suicídio, mas passou a ser investigado depois da família da vítima contestar a versão. O corpo da PM foi exumado e passou por novos exames no sábado (7).
Outros pontos chamaram a atenção dos investigadores. Um deles é o horário da morte. Uma vizinha afirmou a polícia que acordou após ouvir um estampido forte vindo do apartamento, às 7h28. A primeira ligação feita pelo marido da vítima foi feita às 7h57. Ele relatou que ela havia cometido suicídio.
Pouco depois, às 8h05, ele ligou para o Corpo de Bombeiros e afirmou que Gisele ainda respirava. Equipes chegaram ao local às 8h13.
Um dos socorristas afirmou que a arma parecia estar "bem encaixada" na mão da mulher, de forma que nunca havia visto em casos de suicídio. O profissional também relatou que o sangue já estava coagulado e que não havia cartucho de bala quando a equipe chegou ao local.
Socorristas relataram que Geraldo afirmou em depoimento que estava no banho quando ouviu o disparo, mas os bombeiros que chegaram ao local o encontraram seco, e não haviam marcas de água no chão do apartamento. A observação foi reforçada por um tenente da PM da primeira equipe a chegar no apartamento.
O estado emocional do marido também chamou atenção da equipe de resgate. sargento do Corpo de Bombeiros firmou que não notou desespero nem viu Geraldo chorando. Um outro socorrista relatou que ele "falava calmamente" ao telefone e questionava a todo momento o atendimento dos bombeiros.
O caso segue sob investigação.
*Com informações do g1
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