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Lula diz que Fachin colocou 'um pouco de ordem na casa', mas que espera mais de presidente do STF

Em suas falas, Lula criticou o que chamou de "vazamentos seletivos" e interesses políticos dentro da corte

Por FolhaPress
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Lula diz que Fachin colocou 'um pouco de ordem na casa', mas que espera mais de presidente do STF

Foto: Sergio Lima/AFP

O presidente Lula (PT) afirmou nesta quinta-feira (10) que o presidente do STF, Edson Fachin, colocou "um pouco de ordem na casa" com a crise que se instalou entre os ministros da corte, mas disse esperar que o chefe do Supremo tome mais medidas e investigue todos.

"Eu acho que o Fachin tomou a atitude correta. Não terminou de tomar as atitudes, espero que ele faça mais coisa para colocar ordem na casa e devolva a credibilidade que o povo brasileiro sempre teve na Suprema Corte, é assim que eu espero", disse Lula em entrevista ao SBT.

• LEIA TAMBÉM: Fachin pede a Mendonça que suspenda sigilo do caso Master

Em suas falas, Lula criticou o que chamou de "vazamentos seletivos" e interesses políticos dentro da corte. "Quando um juiz tem uma informação que é sigilosa, cabe a ele juiz tomar a decisão de não permitir que a informação vaze ao interesse de uma ou outra pessoa."

"Falta apurar. Quem é culpado de verdade? Se o [Alexandre de] Moraes é o culpado, tem que pagar, se o [André] Mendonça é o culpado, tem que pagar, se o Fachin é culpado, tem que pagar. Todo mundo tem que estar à disposição do cumprimento da Constituição. A lei acima de tudo e a verdade soberana."

A crise no Supremo ficou acirrada após o ministro André Mendonça pedir manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República) sobre um relatório enviado pela Polícia Federal ao STF, que expôs troca de mensagens entre seu colega de corte Alexandre de Moraes com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

De lá para cá, o embate entre os dois ministros escalou quando Moraes usou um documento interno da PF sem valor probatório para pedir uma investigação contra o colega por possível abuso de autoridade. Mendonça acabou por afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, por conta do relatório.

"Tem que fazer a abertura do sigilo de todo mundo, colocar todo mundo nu diante da sociedade brasileira", disse Lula, ainda. "Acho que está no caminho certo agora, colocou um pouco de ordem na casa. Não é possível nem aceitável diante dos olhos da sociedade que fiquem ministros da Suprema Corte brigando um com o outro, dando declaração um do outro, acusando o outro, e a sociedade passiva, assistindo."

Sobre o diretor-geral, indicado por ele ao cargo, Lula disse que ele é de sua total confiança, mas defendeu que seja investigado caso haja irregularidades. Andrei foi reintegrado nesta quarta-feira (9) por decisão do ministro Flávio Dino, a pedido da AGU (Advocacia-Geral da União). Horas depois, Fachin anulou todas as decisões, manteve o diretor-geral no cargo, mas pediu esclarecimentos.

"É papel da Advocacia-geral da União defender os membros do governo. O Andrei é um profissional muito competente, tem mais de 30 anos de carreira, é um companheiro que provavelmente fez a maior busca e apreensão do crime organizado neste país, companheiro que fiscalizou o Banco Master, prendeu o Vorcaro", disse.

"Acho que ele incomoda muita gente na Polícia Federal, acho que porque a Polícia Federal nunca trabalhou tanto, nunca prendeu tanto, resgatou tanto dinheiro e tanta droga como nesse mandato do Andrei", declarou.

"Andrei é da minha total confiança, é um companheiro perito como poucos delegados na história do país e, se ele por acaso cometeu um erro, que ele seja julgado, igual vai ser o Lula, igual a você, não tem segredo. É apenas nós sermos verdadeiros", disse. "O que não dá é ficar suportando mentira atrás de mentira."

Lula chegou a questionar: "As pessoas querem que o presidente indique o diretor-geral da Polícia Federal e depois querem que ele vire um estranho ao presidente?"

Diálogos recuperados do celular do ex-banqueiro indicaram que Vorcaro perguntou a Moraes, dois dias antes de ser preso, se deveria deixar o país. Mostram ainda que o ministro fez edições num contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, e que os dois se encontraram pelo menos seis vezes desde 2024.

A oposição usou o episódio para associar Lula a Moraes, que outrora foi próximo do presidente em manifestações públicas, sobretudo nas tratativas sobre os ataques de 8 de janeiro de 2023.

A campanha do presidente, por sua vez, buscou descolar a imagem do petista e do ministro para tentar conter prejuízos eleitorais. Pouco depois das revelações, Lula publicou um vídeo cobrando que o STF e a PGR para investigar o caso Master a fundo.

Está nos planos do PT de Lula defender, em uma resolução, a ideia de mandatos para ministros do STF. A proposta vem como resposta ao diagnóstico do próprio partido de que a campanha à reeleição do presidente está em risco diante da crise sem precedentes na corte.

Na entrevista, Lula também comentou sua queda de aprovação entre beneficiários do Bolsa-Família, segundo pesquisas eleitorais, e o impacto abaixo do esperado de seus programas econômicos na avaliação da população sobre ele.

"Você pensa que eu não fico triste de ter feito o que nós já fizemos na economia e ainda assim não ter atendido as expectativas da sociedade? Porque o custo de vida está caro", disse. "No meu governo não tem isso de ficar discutindo ajuste fiscal, ajuste fiscal eu boto na prática", declarou ainda.

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