Jovem morto pela PM com 27 tiros é velado em SP

Autores dos disparos afirmam que confundiram aparelho celular da vítima com uma arma

Por FolhaPress
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Jovem morto pela PM com 27 tiros é velado em SP

Foto: Reprodução

PAULO EDUARDO DIAS - Familiares e amigos de Gustavo Munis de Santana, 20, se despedem do jovem nesta segunda-feira, 12, em um cemitério na zona sul de São Paulo.

Abalados, os parentes pediram para a imprensa acompanhar o velório a distância.

Gustavo foi morto por policiais militares na madrugada de sábado (10) na alameda dos Guaramomis, em Moema, com 27 tiros. Os autores dos disparos —45 no total— disseram na delegacia que confundiram o aparelho de celular que o rapaz segurava com uma arma.

Em nota, a SSP (Secretaria da Segurança Pública), da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou neste domingo (11) que os agentes "foram afastados das atividades operacionais e foi aberto um IPM (Inquérito Policial Militar) para apurar a conduta deles".

É praxe o afastamento de policiais militares em ocorrência do tipo, ou seja, não significa que as polícias Civil e Militar tenham achado que houve excesso na ação.

A grande quantidade de tiros acertou, inclusive, uma das viaturas envolvidas na ocorrência. O veículo tinha duas marcas de bala no capô.

De acordo com a secretaria, as armas dos policiais foram apreendidas, e as imagens das câmeras corporais serão analisadas durante as investigações. "A SSP não tolera desvios de conduta dos seus agentes e, constatadas irregularidades, os profissionais serão punidos com rigor", declarou a pasta.

O caso ocorreu pouco antes das 3h. Segundo o registro policial, os agentes foram acionados após uma pessoa informar que havia um indivíduo transtornado ameaçando atirar contra si.

Tal situação foi comunicada pelo telefone 190. Ao chegarem ao local, os policiais encontraram Gustavo nas proximidades de uma passarela. Ele correu, colocou a mão na cintura e, em determinado momento, apontou um objeto escuro na direção dos agentes, ainda segundo a versão dos policiais.

Dos 8 policiais que participaram da ação, 4 atiraram, totalizando 45 tiros. Um deles fez 14 disparos; outro, 13; um terceiro, 6; e o último, 12.

A perícia identificou 27 ferimentos a bala no corpo de Gustavo, incluindo na cabeça, no rosto e no tórax.
A morte de Gustavo levou quase seis horas para ser comunicada ao DHPP (Departamento de Homicídio e de Proteção à Pessoa). A delegacia é a responsável por investigar mortes cometidas por policiais militares em serviço contra civis.

Investigadores afirmaram que casos do tipo devem ser comunicados imediatamente. A demora prejudica o isolamento do local, com a passagem de diversas pessoas pelo ponto, e, consequentemente, a investigação.
Pessoas que tiveram acesso às câmeras corporais dos PMs afirmaram que o rapaz corria com a mão na cintura e ameaçava atirar antes de ser atingido.

Familiares disseram à polícia que Gustavo vivia com a mãe e as irmãs e, desde o ano passado, tomava medicamentos para depressão. Ele não tinha antecedentes criminais, segundo a polícia.

Os policiais militares envolvidos nesse caso pertencem ao 12° Batalhão de Polícia Militar, que abrange áreas como Moema, Vila Mariana, Planalto Paulista e Campo Belo.

Em 2024, dois policiais desse batalhão mataram o estudante de medicina Marco Aurélio Cadenas Acosta, 22, na Vila Mariana. Ele também estava desarmado na ocasião.

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