Jaques Wagner tentou vender terreno de R$ 15 milhões um dia após operação da PF, diz jornal
Senador foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero

Foto: Roque de Sá/Agência Senado
Um dia após ter sido alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, o senador Jaques Wagner (PT) tentou vender um terreno avaliado em R$ 15,8 milhões. O negócio, porém, foi barrado por uma ordem judicial de bloqueio de bens emitida pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF).
A informação foi publicada neste sábado (18), pelo jornal Estadão. Procurada pelo veículo, a defesa de Wagner disse que não comentará o assunto. “A defesa do senador Jaques Wagner esclarece que ele não se manifestará sobre condutas que não sejam sobre sua campanha eleitoral", afirmou o advogado Pablo Domingues.
A defesa acrescentou que "todos os demais assuntos estão e continuarão sendo tratados judicialmente" e que " todos os fatos apurados são públicos e com registros públicos". "Não há mínima irregularidade e nem nada a esconder”, concluiu Domingues.
Além do terreno, o senador negociou a venda de um apartamento em Salvador por R$ 10 milhões. O contrato foi protocolado em cartório cerca de uma semana antes da operação, mas a transferência do imóvel também acabou suspensa, em razão da mesma decisão judicial.
Ainda segundo o Estadão, documentos obtidos pelo jornal mostram que, apesar de as negociações terem sido travadas, Jaques Wagner já recebeu aproximadamente R$ 12 milhões oriundos de ambas.
Durante a nona fase da Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão contra o parlamentar, acusado de receber propina do Master ao ganhar do empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no banco, um apartamento na capital avaliado em R$ 2,5 milhões.
No dia seguinte à ação, ele protocolou, no 1º Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari, o contrato de compra e venda de um terreno de cerca de 51 mil metros quadrados, adquirido em 2000.
O Estadão apurou que o lote, situado na região metropolitana de Salvador (RMS), foi negociado com uma empresa que tem entre os sócios o City Football Group, controlador de 90% da Sociedade Anônimo do Futebol (SAF) do Esporte Clube Bahia, além de companhias do setor imobiliário.
A expectativa é que a área faça parte de um empreendimento imobiliário que será construído ao lado do futuro centro de treinamento do clube.
Procurado pela reportagem, o Esporte Clube Bahia SAF informou que adquiriu terrenos de cinco proprietários distintos na região, seguindo critérios de mercado, e que a área pertencente ao senador representa cerca de 4% da área total comprada. Também declarou que o bloqueio judicial não compromete o andamento do projeto.


