Inflação nos EUA pressiona famílias e aumenta custo de vida antes das eleições de meio de mandato
Alta nos preços de alimentos, combustíveis e outros produtos obriga estadunidenses a buscar empregos extras, cortar despesas e adiar planos financeiros

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O aumento do custo de vida nos Estados Unidos tem pressionado o orçamento das famílias e ampliado a preocupação com a economia às vésperas das eleições de meio de mandato, previstas para novembro. Em setembro, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 3,7%, acima dos 3,4% registrados até agosto, segundo dados oficiais divulgados em 14 de outubro.
Entre os principais fatores de pressão estão os preços dos combustíveis e dos alimentos. Diante do cenário, estadunidenses relatam dificuldades para pagar despesas básicas, economizar dinheiro e realizar planos pessoais.
Estadunidenses recorrem a empregos extras para pagar as contas
No Tennessee, a professora Kathryn Vaughn, de 46 anos, trabalha em três empregos para sustentar a família de quatro pessoas. Além de dar aulas de artes em uma escola primária, ela atua em um programa voltado a jovens em situação de risco e escreve obituários para complementar a renda.
Vaughn também vende objetos usados e roupas pela internet. Mesmo com as fontes adicionais de dinheiro, afirma que enfrenta dificuldades para equilibrar o orçamento familiar.
“Já fiz coisas incrivelmente insanas para sobreviver”, relatou.
A professora também precisou rever os gastos com os filhos. Ao receber uma conta de US$ 130, equivalente a cerca de R$ 650, em materiais escolares para o filho de cinco anos, decidiu que ele passaria a comprar o almoço na escola, por considerar a alternativa mais econômica do que preparar a refeição em casa.
A família também desistiu de uma viagem à Flórida para visitar os pais de Vaughn devido ao custo da gasolina.
Preço dos combustíveis afeta planos financeiros
Na Califórnia, Punal Bhavsar, de 39 anos, adiou o plano de comprar uma casa em 2026. Ele esperava que as taxas de juros caíssem, mas afirma que a alta dos preços dificultou a formação de uma reserva financeira.
O combustível é uma das principais preocupações. Bhavsar conta que a gasolina premium custa quase US$ 6 por galão na região onde mora.
“Para mim, os preços da gasolina simplesmente precisam ficar sob controle”, afirmou.
A insatisfação com a economia pode influenciar o voto nas eleições de meio de mandato, quando os estadunidenses escolherão representantes para o Congresso e outros cargos estaduais e locais.
Gastos com supermercado dobram
Em Utah, Caitlin Green também sente os efeitos da inflação. Ela conta que o gasto mensal com supermercado, que antes era de aproximadamente US$ 200, subiu para US$ 400 — o equivalente a um aumento de cerca de R$ 1 mil para R$ 2 mil, conforme as conversões apresentadas no relato.
O preço da carne moída está entre os exemplos citados por Green. Segundo ela, o quilo, que custava US$ 4,40, passou a custar US$ 17,60. Diante da alta, ela e o marido passaram a considerar alternativas, como frango e peru moído.
A estadunidense afirma que a carne moída, antes uma opção acessível para as refeições, está se tornando um produto difícil de comprar.
“Entendo que a inflação existe, mas acho que nunca na vida vi a inflação subir tão rápido e de forma tão drástica”, declarou.
Confiança na economia está em baixa
O cenário também aparece nos indicadores de percepção econômica. Em setembro, o Índice Gallup de Confiança na Economia, que mede a avaliação dos estadunidenses sobre as condições econômicas atuais e as perspectivas para o país, chegou a -40 em uma escala de -100 a +100.
Além disso, uma pesquisa realizada pelo jornal britânico *The Guardian* em meados do ano apontou que 95% dos entrevistados acreditavam que os Estados Unidos enfrentavam uma crise relacionada ao custo de vida.
Com a inflação pressionando o orçamento doméstico, famílias de diferentes regiões do país têm recorrido a mudanças no consumo, trabalhos adicionais e adiamento de planos para tentar manter as contas em dia.


