Flávio Bolsonaro cita dados falsos sobre urnas e gera repercussões no TSE

Ministros da corte teriam rememorado caso que ocorreu em 2021 quando, pela primeira vez, um mandado foi cassado devido a fake News sobre o sistema eletrônico de votaçã.

Por Da Redação
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Flávio Bolsonaro cita dados falsos sobre urnas e gera repercussões no TSE

Foto: Divulgação Novo Selo

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) levantou suspeitas infundadas sobre as urnas eletrônicas em discurso feito durante um encontro com representantes estrangeiros na terça-feira (21). A fala fez com que os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) resgatassem o primeiro caso em que a Corte puniu ataques ao sistema eletrônico, com a cassação do então deputado estadual Fernando Francischini (PSL-RJ). As informações são do Jornal O Globo. 

Durante um seminário do ciclo "Debatendo o Brasil", promovido pela Novo Selo Comunicação em parceria com o The Brazilian Report, Flávio Bolsonaro citou dados inverídicos sobre as urnas e uma empresa venezuelana, a Smartmatic. Essa mesma companhia é citada em documentos da CIA, divulgados pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na última semana. 

Na fala Flávio disse que a Smartmatic estava fornecendo urnas para o Brasil. "Uma das suspeitas é que uma empresa chamada Smartmatic, de origem venezuelana, é que tenha uma programação para alteração das votações naquele país [...]  Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana", disse. 

O discurso adotado por Flávio é o mesmo que foi utilizado por seu pai, Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, quando quis insinuar que as urnas eletrônicas não seriam confiáveis. 

O evento em que o parlamentar fez as declarações inverídidcas sobre o sistema eleitoral brasileiro reuniu representantes diplomáticos de mais de 40 países e organismos internacionais, como Estados Unidos, China, Argentina, Alemanha, Reino Unido, Espanha, Japão, Israel, Canadá, México, Paraguai e Ucrânia, além da União Europeia e da Liga dos Estados Árabes.

O que dizem os ministros do TSE 

Ministros do TSE teriam comentado as declarações ao O Globo, traçando um paralelo com o julgamento que cassou o mandado de Francischini. A decisão foi considerada um marco na mudança de entendimento da Corte quanto a gravidade da disseminação das fake News sobre o sistema eleitoral. 

À época os ministros determinaram a cassação após o deputado ter feito uma transmissão ao vivo no dia do segundo turno das eleições de 2018, afirmando, sem provas, falsamente que as urnas estariam impedindo votos em Jair Bolsonaro. O TSE concluiu que a atitude representava uso indevido dos meios comunicacionais e abuso de poder político. Francischini foi declarado inelegível por oito anos.

No episódio desta semana envolvendo Flávio Bolsonaro, não há até o momento qualquer tipo de procedimento aberto na Justiça Eleitoral. De acordo com a reportagem, integrantes da Corte teriam afirmado que as medidas dependeriam da provocação de partidos, candidatos ou do Ministério Público Eleitoral, que poderiam questionar se houve abuso eleitoral ou outra infração prevista na legislação.
 

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