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Em carta, EUA frustra apelo de Flávio Bolsonaro e reforça intenção de tarifas contra o Brasil

Segundo o governo Trump, certas práticas brasileiras 'oneram ou restringem' o comércio dos EUA

Por Da Redação
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Atualizado
Em carta, EUA frustra apelo de Flávio Bolsonaro e reforça intenção de tarifas contra o Brasil

Foto: Reprodução | Andressa Anholete/Agência Senado

Em carta enviada ao senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), o governo de Donald Trump reforçou as intenções americanas de aplicar tarifas sobre importações de produtos brasileiros. A carta foi divulgada nesta sexta-feira (26), pela própria campanha do pré-candidato.

A carta do governo estadunidense é uma resposta a uma primeira carta enviada no início de junho por Flávio Bolsonaro a Rubio, pedindo que Trump poupasse o Brasil do novo tarifaço.

No documento, datado do dia 23 de junho de 2026, o Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, agradece o apoio e a visita que Flávio fez a Washington. O secretário relembra ainda o argumento do representante de comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, sobre as "divergências substanciais" entre Brasil e EUA no que tange a práticas comerciais.

"Determinados atos, políticas e práticas do Brasil são injustificadamente ou discriminatoriamente onerosos ou restringem o comércio dos Estados Unidos", diz Rubio.

Com isso, Marco Rubio explicita a intenção do país norte-americano de manter o tarifaço contra o Brasil e cita quais mercados podem ser atingidos.

"O embaixador Greer deixou claro que continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nessa investigação. Essas questões dizem respeito ao comércio digital, aos serviços de pagamento eletrônico, a tarifas preferenciais consideradas injustas, à aplicação de medidas anticorrupção, à proteção da propriedade intelectual, ao acesso ao mercado de etanol e ao desmatamento ilegal", afirma.

Facções criminosas como terroristas

No documento, Rubio também agradece a Flávio o apoio recebido na decisão dos EUA de classificar o CV (Comando Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como terroristas.

"Os Estados Unidos reconhecem que a violência e as sofisticadas redes criminosas dessas facções ameaçam a segurança dos cidadãos honrados em todo o nosso hemisfério comum. Ao atacarmos suas redes financeiras, de drogas e de armas, estamos tomando medidas decisivas para proteger tanto o povo brasileiro quanto o americano contra o crime organizado transnacional."

No dia 5 de junho de 2025, entrou em vigor oficialmente a decisão da classificação dos grupos criminosos como terroristas. A decisão já havia sido anunciada em 28 de maio, mas só foi oficializada no Federal Register, o Diário oficial americano, após oito dias. O documento foi assinado por Marco Rubio.

Veja tradução de carta na íntegra:

O SECRETÁRIO DE ESTADO

WASHINGTON

23 de junho de 2026.

Ao Excelentíssimo Senhor

Flávio Bolsonaro

Senador da República Federativa do Brasil

Senado Federal - Anexo I - 17º Pavimento.

Brasília-DF, 70165-900.

Prezado Senador Bolsonaro:

Obrigado por sua carta e por sua recente visita a Washington. Compartilho de sua convicção de que a amizade duradoura entre os Estados Unidos e o Brasil deve permanecer ancorada em valores compartilhados, respeito mútuo e uma visão unificada para a segurança e a prosperidade do Hemisfério Ocidental.

Agradeço profundamente o seu apoio à nossa decisão de categorizar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como Terroristas Globais Especialmente Designados e Organizações Terroristas Estrangeiras sob a lei dos EUA. Os Estados Unidos reconhecem que a violência e as sofisticadas redes criminosas dessas facções ameaçam a segurança de cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado. Ao visar suas redes financeiras, de drogas e de armas, estamos tomando medidas decisivas para proteger tanto o povo brasileiro quanto o americano do crime organizado transnacional.

Como o senhor observou, o Embaixador Jamieson Greer, Representante Comercial dos Estados Unidos, anunciou em 1.º de junho de 2026 sua determinação de que certos atos, políticas e práticas do Brasil são irracionais ou discriminatórios e sobrecarregam ou restringem o comércio dos EUA. Ele propôs uma ação de resposta para consulta pública. Esta determinação e a proposta de ação de resposta são decorrentes de uma investigação iniciada em julho de 2025 sob a direção específica do Presidente Trump.

O Embaixador Greer deixou claro que continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação. Estas referem-se ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais injustas, aplicação de medidas anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

Qualquer parte interessada no Brasil poderá participar do período de consulta pública sobre a proposta de ação de resposta e da audiência pública que o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos convocará em 6 de julho de 2026. O período de consulta pública permanece aberto até 1.º de julho de 2026. Os pedidos para comparecer à audiência devem ser enviados até 22 de junho de 2026.

Os Estados Unidos permanecem firmes em seu desejo de ver um Brasil próspero, seguro e economicamente estável. Notamos o seu otimismo em relação às próximas eleições de outubro e a sua generosa oferta de colocar uma equipe de transição à nossa disposição caso o senhor seja eleito. Os Estados Unidos estão prontos para trabalhar de forma cooperativa com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro para buscar uma estrutura de comércio e investimento ampla, justa e mutuamente benéfica.

Aguardo com expectativa a continuidade do nosso diálogo e o aprofundamento da parceria estratégica entre as nossas duas grandes nações. Deus abençoe os Estados Unidos e o Brasil.

Atenciosamente,

[Assinatura]

Marco Rubio

 

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