Derrota para a Noruega pode marcar despedida da geração que perseguiu o hexa
Neymar e Danilo indicam fim de ciclo na Seleção, enquanto outros veteranos chegam ao próximo Mundial com idade avançada.

Foto: Rafael Ribeiro / CBF, Nelson Terme / CBF
Durante mais de uma década, a Seleção Brasileira foi construída sobre uma base que atravessou diferentes treinadores, mudanças de geração e quatro ciclos de Copa do Mundo. A eliminação para a Noruega, nas oitavas de final da edição de 2026, pode ter encerrado esse capítulo. Mais do que a queda precoce no torneio, a derrota deixou a sensação de que o Brasil começa, a partir de agora, uma renovação inevitável.
O principal indicativo veio logo após o apito final. Neymar e Danilo deram declarações em tom de despedida da Seleção e passaram a tratar com cautela a possibilidade de disputar a Copa do Mundo de 2030. Sem confirmar uma aposentadoria, ambos deixaram claro que o futuro com a camisa amarela ainda será avaliado.
Entre os dois, Neymar é quem simboliza de forma mais marcante esse ciclo. Convocado pela primeira vez para uma Copa em 2014, o camisa 10 viveu momentos que ajudam a contar a história recente da Seleção. Naquele Mundial, disputado em casa, sofreu uma grave lesão nas quartas de final contra a Colômbia e não participou da derrota por 7 a 1 para a Alemanha.
Quatro anos depois, chegou à Copa da Rússia ainda em recuperação de uma lesão e voltou a ser protagonista. Em 2022, viveu talvez o momento mais emblemático da carreira em Mundiais ao marcar, na prorrogação, o gol que parecia garantir a classificação contra a Croácia. O empate sofrido nos minutos finais e a eliminação nos pênaltis transformaram a comemoração em uma das imagens mais dolorosas de sua trajetória pela Seleção.
Na edição de 2026, Neymar disputou sua quarta Copa do Mundo. Durante a campanha, igualou Pelé em número de partidas em Mundiais e passou a integrar o grupo dos três maiores artilheiros brasileiros da história da competição, com nove gols. Apesar das marcas individuais, encerra mais um ciclo sem conquistar o título que perseguiu durante toda a carreira.
Danilo também chega ao fim da Copa com uma trajetória importante pela Seleção. Presente nos Mundiais de 2018, 2022 e 2026, o lateral recuperou a condição de titular nesta edição após a lesão de Wesley, cortado antes do mata-mata. Assim como Neymar, deixou o futuro em aberto após a eliminação.
A renovação, porém, não deve atingir apenas os dois. Diversos jogadores que formaram a espinha dorsal da equipe chegam ao próximo ciclo em uma idade que naturalmente aumenta as dúvidas sobre uma nova convocação. Alisson terá 37 anos em 2030. Marquinhos, Casemiro, Danilo e Neymar estarão com 38. Alex Sandro chegará aos 39, enquanto Weverton terá 42 anos.
A idade não impede, necessariamente, uma convocação. Daniel Alves, por exemplo, disputou a Copa do Mundo de 2022 aos 39 anos e se tornou o jogador mais velho a defender o Brasil em um Mundial. Ainda assim, a tendência é que o próximo ciclo abra espaço para uma renovação significativa do elenco.
Depois de quatro Copas com praticamente a mesma base, a derrota para a Noruega pode representar mais do que uma eliminação. Pode ser o ponto final de uma geração que acumulou recordes, protagonizou momentos marcantes e alimentou, durante anos, o sonho do hexacampeonato, mas que deixa a Seleção sem conseguir transformar esse objetivo em realidade.


