De patrimônio zerado a R$ 44 mil: como Gordinho da Favela declarou bens ao TSE

Vereador é alvo de investigação do MP-BA por suspeita de desviar recursos públicos

Por Ane Catarine Lima
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De patrimônio zerado a R$ 44 mil: como Gordinho da Favela declarou bens ao TSE

Foto: Divulgação

Alvo de uma operação do Ministério Público da Bahia (MP-BA) que investiga suspeitas de fraudes em licitações na Prefeitura de Salvador, o vereador licenciado Gordinho da Favela (PP) passou de nenhum bem declarado à Justiça Eleitoral, em 2020, para um patrimônio de R$ 44,2 mil quatro anos depois.

Um levantamento do Farol da Bahia, feito com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que o parlamentar não declarou bens na eleição em que foi eleito vereador pela primeira vez, em 2020. 

Na disputa seguinte, em 2022, quando concorreu a deputado federal e ficou na suplência, informou patrimônio de R$ 12.468,44.  Já em 2024, ao disputar a reeleição para a Câmara Municipal de Salvador, o valor declarado chegou a R$ 44.206,59. 

Maior parte do patrimônio aparece como dinheiro em espécie

Na declaração apresentada em 2022, o patrimônio de Gordinho da Favela era composto por R$ 5 mil referentes a 50% do capital social da empresa Loja do Gordinho Ltda. e R$ 7.468,44 mantidos em conta corrente.

Em 2024, a composição mudou. Dos R$ 44.206,59 declarados, R$ 43.500 estavam registrados como "saldo em mãos", enquanto R$ 706,59 apareciam em conta corrente. 

Vale ressaltar que a declaração de valores em espécie é permitida pela Justiça Eleitoral e, isoladamente, não representa irregularidade. O dado que chama atenção é a concentração de quase todo o patrimônio declarado nessa modalidade.

Investigação do Ministério Público

A Justiça da Bahia determinou na segunda-feira (13) a suspensão do mandato do vereador Gordinho da Favela após uma operação que investiga suspeitas de fraudes em licitações, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa na Prefeitura de Salvador.

Segundo o MP-BA, o vereador integraria um grupo suspeito de direcionar contratos públicos, superfaturar serviços e realizar pagamentos indevidos a servidores. O suposto esquema teria causado prejuízo estimado de R$ 38,3 milhões aos cofres municipais ao longo de 10 anos.

Em nota, Gordinho da Favela se colocou à disposição para prestar esclarecimentos e disse que sempre atuou com honestidade e respeito ao patrimônio público.
 

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