Da guerra à Copa: países em conflito disputam o Mundial

Treze seleções presentes no Mundial convivem com guerras, crises humanitárias, disputas territoriais ou violência armada em seus territórios.

Por Da Redação
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Da guerra à Copa: países em conflito disputam o Mundial

Foto: Shutterstock

A Copa do Mundo costuma ser apresentada como um momento de união entre povos, culturas e nações. Em 2026, parte dos países que celebram a participação no principal torneio do futebol mundial convive simultaneamente com guerras, crises humanitárias e conflitos armados que seguem longe de uma solução.

Das 48 seleções classificadas para a competição realizada nos Estados Unidos, México e Canadá, 13 representam países envolvidos, direta ou indiretamente, em guerras, disputas territoriais ou cenários de violência prolongada. Entre eles estão Estados Unidos, Irã, México, Haiti, Colômbia, Jordânia, Catar, Arábia Saudita, Iraque, Marrocos, Argélia, República Democrática do Congo e Coreia do Sul.

O caso que mais se aproxima do noticiário esportivo é o de Estados Unidos e Irã. Enquanto as duas seleções disputam a Copa do Mundo, os países convivem com uma escalada de tensão militar iniciada neste ano. O conflito gerou incertezas sobre a participação iraniana no torneio e provocou dificuldades logísticas para atletas e integrantes da delegação, incluindo questões relacionadas à emissão de vistos e à definição do centro de treinamento da equipe.

Os reflexos da crise ultrapassaram as fronteiras dos dois países. Jordânia, Catar, Arábia Saudita e Iraque, que também participam da Copa, foram impactados pela instabilidade regional e por ações militares ligadas ao conflito envolvendo Estados Unidos, Irã e seus aliados.

Mas nem todos os conflitos que acompanham o Mundial ocupam diariamente as manchetes internacionais. Um dos exemplos mais emblemáticos é a República Democrática do Congo, integrante do Grupo K ao lado de Colômbia, Uzbequistão e Portugal.

O país africano convive há décadas com confrontos armados na região leste do território. A disputa envolve forças governamentais e grupos rebeldes, especialmente o M-23, organização que, segundo as Nações Unidas, recebe apoio externo e disputa áreas estratégicas ricas em recursos minerais.

A mais recente escalada de violência ocorreu em 2025, quando forças rebeldes ampliaram o controle sobre regiões do leste congolês. Apesar de tentativas de mediação internacional e acordos de cessar-fogo, milhões de pessoas seguem afetadas por deslocamentos forçados, insegurança e instabilidade política.

Em outros países presentes na Copa, os conflitos assumem características diferentes. No México, anfitrião do Mundial, a violência está associada principalmente à atuação de cartéis do narcotráfico e às disputas entre grupos criminosos e forças de segurança. O tema voltou ao centro do debate nacional nos meses que antecederam a competição. Mas, na última quinta-feira (11), horas antes e durante a partida de abertura um protesto reuniu familiares de pessoas desaparecidas e organizações sociais nas proximidades do Estádio Azteca. A escolha do dia da abertura não foi escolhido por acaso, já que a atenção do mundo estava voltada para o país por conta do Mundial. 

Já a Colômbia continua enfrentando confrontos envolvendo organizações armadas e grupos ligados ao narcotráfico, enquanto o Haiti vive uma das crises humanitárias mais graves do continente americano. No país caribenho, gangues exercem controle sobre parte significativa da capital Porto Príncipe, provocando deslocamentos em massa da população e agravando a instabilidade política.

Há ainda os chamados conflitos congelados ou de baixa intensidade. A Coreia do Sul, por exemplo, permanece tecnicamente em guerra com a Coreia do Norte desde a década de 1950. Embora um armistício tenha interrompido os combates, jamais foi assinado um tratado de paz definitivo entre os dois países.

Situação semelhante ocorre no norte da África. Marrocos convive há décadas com o impasse envolvendo o Saara Ocidental e a Frente Polisário, movimento que reivindica a independência da região. A disputa também envolve a Argélia, que apoia a causa saaraui e mantém uma histórica rivalidade diplomática com os marroquinos.

A presença dessas seleções no Mundial mostra como a Copa do Mundo reúne países com realidades profundamente distintas. Enquanto milhões de torcedores acompanham gols, classificações e disputas por títulos, parte dos atletas presentes no torneio representa nações marcadas por conflitos que continuam influenciando a vida de suas populações.

Em campo, todos começam a competição com as mesmas regras e o mesmo objetivo. Fora dele, porém, a realidade de muitos dos participantes está longe de ser tão equilibrada quanto a disputa pelo título mundial.

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