Como funcionam os carros híbridos leves?

Veículos híbridos leves não tem tração elétrica mas ajudam a economizar

Por Marcos Camargo Jr.
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Como funcionam os carros híbridos leves?

Os carros híbridos leves (MHEV, na sigla em inglês para Mild Hybrid Electric Vehicle) deixaram de ser uma promessa para se tornar uma das principais apostas da indústria automotiva brasileira. A tecnologia, que já equipa diversos modelos da Stellantis e também faz parte dos planos da General Motors para os próximos anos, surgiu como uma solução para reduzir consumo de combustível e emissões sem a complexidade dos híbridos convencionais.

Ao contrário de um híbrido tradicional ou de um híbrido plug-in, o sistema híbrido leve não movimenta o veículo apenas com energia elétrica. Seu papel é auxiliar o motor a combustão em momentos específicos, principalmente nas arrancadas e retomadas de velocidade, justamente quando o consumo de combustível é maior.

Essa solução atende às metas do Programa Mover, política industrial do governo federal que estabelece índices cada vez mais rigorosos de eficiência energética e redução das emissões de CO₂ para os veículos produzidos no país.

O que é um híbrido leve?

O sistema híbrido leve adiciona um pequeno conjunto elétrico ao motor a combustão. Na maioria dos veículos vendidos atualmente no Brasil, essa arquitetura opera em 12 volts e reúne uma bateria de íons de lítio, uma central eletrônica de gerenciamento e o chamado BSG (Belt Starter Generator), componente responsável por substituir simultaneamente o alternador e o motor de partida convencionais.

É justamente esse equipamento que diferencia um híbrido leve de um automóvel equipado apenas com motor a combustão.

Como funciona o BSG?

Ligado ao motor por meio de uma correia, o BSG desempenha três funções principais.

Primeiro, substitui o motor de partida, proporcionando acionamentos mais rápidos e praticamente sem vibrações. Depois, atua como alternador para recarregar a bateria do sistema híbrido. Por fim, fornece assistência elétrica ao motor durante acelerações e retomadas de velocidade.

Embora essa assistência tenha potência relativamente modesta — normalmente entre 3 kW e 7 kW — ela reduz o esforço exigido do motor térmico justamente nas situações em que ele apresenta menor eficiência.

O sistema na prática

O funcionamento pode ser percebido em um semáforo.

Quando o veículo para completamente, o sistema Start-Stop desliga o motor a combustão. Assim que o motorista retira o pé do freio, o BSG religa o motor de forma praticamente instantânea e com muito menos vibração do que um sistema convencional.

Nos primeiros metros da aceleração, o gerador também fornece um pequeno impulso elétrico ao motor, diminuindo a quantidade de combustível necessária para colocar o veículo em movimento. Depois dessa fase inicial, o motor a combustão passa a trabalhar normalmente.

Como a bateria é recarregada?

O sistema aproveita parte da energia que normalmente seria desperdiçada durante as frenagens e desacelerações.

Nessas situações, o BSG deixa de atuar como motor elétrico e passa a funcionar como gerador, convertendo a energia cinética do veículo em eletricidade para recarregar a bateria de íons de lítio. Esse processo é conhecido como frenagem regenerativa.

Quanto maior o número de paradas e desacelerações, maior será a recuperação de energia. Por isso, os híbridos leves costumam apresentar ganhos de eficiência mais expressivos no trânsito urbano do que em viagens rodoviárias.

Quanto ele economiza?

A economia depende do modelo e das condições de uso.

Em trajetos urbanos, onde há maior frequência de arrancadas, frenagens e funcionamento do sistema Start-Stop, o consumo pode cair entre 5% e 12% em comparação com a mesma motorização sem eletrificação.

Já em rodovias, onde o motor permanece em velocidade constante durante grande parte do percurso, o auxílio elétrico é acionado com menor frequência e o ganho tende a ser mais discreto.

Além da redução no consumo, o sistema também contribui para diminuir as emissões de dióxido de carbono, um dos principais indicadores considerados pelo Programa Mover.

Por que as montadoras investem nessa tecnologia?

A principal vantagem do híbrido leve é permitir ganhos de eficiência sem exigir mudanças profundas na arquitetura do veículo.

Como utiliza componentes compactos e dispensa motores elétricos de alta potência, transmissões específicas e baterias de alta tensão, o custo de produção permanece significativamente menor do que o de um híbrido convencional.

Isso facilita a adoção da tecnologia em veículos compactos, SUVs e picapes produzidos em grande volume, tornando-a uma das alternativas mais acessíveis para atender às futuras exigências ambientais.

Quais marcas já utilizam esse sistema?

Hoje, a Stellantis lidera a oferta de híbridos leves no mercado brasileiro.

O conjunto Hybrid de 12 volts já equipa Fiat Pulse, Fastback e Toro, além dos Jeep Renegade, Compass e Commander. A tecnologia também está presente nos Peugeot 208 e 2008 e deverá chegar em breve aos próximos lançamentos nacionais da Citroën desenvolvidos sobre a plataforma CMP.

A General Motors também confirmou que produzirá veículos híbridos leves no Brasil dentro do plano de investimentos destinado às fábricas de São Caetano do Sul e São José dos Campos. A expectativa é que modelos de grande volume recebam a nova motorização para cumprir as metas de eficiência do Programa Mover.

Como aproveitar melhor a tecnologia?

Embora todo o gerenciamento seja automático, alguns hábitos ajudam a potencializar a economia.

Antecipar frenagens aumenta a recuperação de energia pelo sistema regenerativo. Evitar acelerações bruscas reduz a demanda sobre o motor a combustão, enquanto pneus calibrados, combustível de boa qualidade e a manutenção em dia preservam o desempenho do conjunto.

Também vale manter velocidade constante sempre que possível, especialmente nos deslocamentos urbanos.

Vale a pena comprar um híbrido leve?

O híbrido leve não substitui um carro elétrico nem oferece condução exclusivamente elétrica. Sua proposta é tornar o motor a combustão mais eficiente, especialmente nas situações de maior consumo de combustível.

Para quem enfrenta diariamente o trânsito das grandes cidades, a economia obtida ao longo do tempo pode compensar o investimento adicional, ao mesmo tempo em que reduz as emissões de poluentes.

Com a entrada em vigor das novas etapas do Programa Mover e a necessidade de cumprir metas ambientais mais rigorosas, a tendência é que essa tecnologia deixe de ser exceção e passe a equipar um número cada vez maior de veículos produzidos no Brasil, funcionando como uma ponte entre os modelos exclusivamente a combustão e os híbridos completos.

 

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