Brasil vai aos EUA para contestar tarifaço de Trump
Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos inicia audiências para discutir tarifaço nesta segunda-feira (6)

Foto: Divulgação/CNI
Representantes da indústria e do agronegócio brasileiros confirmaram presenças nas audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável por formular a política comercial dos Estados Unidos, para discutir a proposta estadunidense da tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
As audiências, iniciadas nesta segunda-feira (6), integram o processo baseado na Seção 301 da legislação comercial estadunidense, e permitem que empresas, associações, governos e outras partes interessadas apresentem argumentos antes da decisão final dos Estados Unidos.
Com a participação nas audiências, a Confederação Nacional de Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), além de representantes dos setores de café, arroz, açúcar, etanol de milho, ferro-gusa, rochas ornamentais, madeira, papel, calçados, mel e propriedade intelectual, buscam convencer o governo estadunidense de que a sobretaxa prejudicaria não apenas exportadores brasileiros, mas também empresas, consumidores e cadeias produtivas dos EUA.
A Fiesp, por exemplo, que representa as indústrias paulistas, defenderá que a tarifa de 25% não tem justificativa técnica nem econômica e pode prejudicar empresas e consumidores de ambos os países.
Equipes técnicas dos governos dos dois países devem se reunir ainda nesta semana para alinhar os preparativos de uma última rodada de negociações que antecedem o dia 15 de julho, prazo em que Washington decidirá se avança com a imposição das tarifas.
Conforme divulgado pela CNI, caso a medida seja adotada:
• 31,6% das exportações brasileiras para os Estados Unidos passarão a pagar tarifa total de 37,5% (soma dos 25% da investigação comercial com outros 12,5% de outra acusação americana, de “falha no combate ao trabalho forçado” no país);
• 35,2% de toda a pauta exportadora brasileira para o mercado americano será atingida pela nova sobretaxa;
• Somadas às tarifas já existentes da Seção 232, 54,1% das exportações brasileiras para os Estados Unidos ficarão sujeitas a algum tipo de tarifa adicional.
Durante a audiência, a entidade também pretende rebater quatro pontos da investigação dos EUA. São eles: propriedade intelectual, tarifas de importação, desmatamento e relação bilateral.


