Boulos critica atraso de pautas no Senado e diz que fim da escala 6x1 "é um grito da sociedade brasileira"
Fala foi feta durante o programa Bom dia, Ministro, na manhã desta terça-feira (30)

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência do Brasil Guilherme Boulos criticou a atuação da presidência do Senado na condução da pauta sobre o fim da escala 6x1. De acordo com o ministro, a forma como a casa tem conduzido a temática é “temerária” para os interesses da população brasileira.
Durante sua participação no programa Bom dia, Ministro na manhã desta terça-feira (30), Boulos respondeu ao Farol da Bahia que os entraves que têm sido colocados no Congresso aos projetos do governo representam um retrocesso. Porém, ele acredita que a pressão popular vai colaborar para a aprovação “eu acho que esse grito vem e virá da sociedade brasileira”.
“É muito temerário a conduta que a mesa do senado tem tido em relação às pautas essenciais para o país com destaque para o fim da escala 6x1. Como você bem lembrou, a PEC da segurança também está parada lá para ser votada e o projeto das terras raras também. Reitero [eles] estão brincando com fogo porque pegam pautas que são essenciais para o Brasil e subordinam a interesses menores de disputa política, de disputa partidária, isso não é bom para ninguém”, disse.
O chefe da Secretaria-Geral da Presidência também comentou brevemente sobre a mudança na liderança do governo no Senado. Com a saída do senador Jaques Wagner, devido a ter se tornado alvo de investigação da Polícia Federal, a liderança ficou com a senadora Teresa Leitão (PT- PE). “Eu confio muito na Teresa e no José Guimarães para questão institucional pra poder fazer o diálogo e destravar essas pautas no Senado federal”.
Oposição a PEC das horas trabalhadas
Um dos assuntos também pontuados por Bolos durante o programa foi sobre a PEC das Horas Trabalhadas, que propõe a criação de um regime de trabalho baseado em horas efetivamente trabalhadas. O ministro classifica a proposta como “um tapa na cara do trabalhador”, além de ter feito críticas ao pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL).
“Essa pec é um contragolpe, ela é a escala 7x0. Ela piora o que se tem hoje, em nome da suposta flexibilidade da liberdade do trabalhador eles dizem o seguinte: 'o trabalhador deve ser contratado por hora conforme a demanda do empregador'. Então se hoje o empregador te demandar 4h você vai trabalhar 4h, se depois de amanhã te demandar 10h vai trabalhar 10h e você vai receber exclusivamente pelo que você trabalhou”, disse.
“O resultado disso é o fim dos direitos trabalhistas, redução salarial e o trabalhador ter que se virar com 'bicos' para complementar o salário. Olha o nível do absurdo, a sociedade grita dizendo estar exausta e eles como resposta apresentam uma pec que retira direitos historicamente conquistados. É uma vergonha, uma farsa, é um tapa na cara do trabalhador”, acrescentou.
Sobre o adversário do presidente Lula (PT) na corrida pelo Planalto, Boulos critica o apoio que ele demonstrou à proposta e questiona a motivação. Já que, segundo ele, os senadores e deputados não são submetidos a regime semelhante, o ministro ainda cita uma reportagem da Folha de São Paulo sobre Flávio ter se ausentado de 43% das votações nominais do Senado neste ano.
“Imagine se valesse para ele [Flávio Bolsonaro] a PEC da hora trabalhada? o cara não ia conseguir pagar as contas no fim do mês porque não trabalha ai quer a pec para os outros e ele recebendo 45 mil para faltar quase metade das sessões do senado é muita cara de pau”.
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