Bolsonaro pede a Moraes autorização para receber assessor do governo Trump na prisão
Defesa do ex-presidente solicita visita do norte-americano Darren Beattie na unidade onde ele cumpre pena

Foto: Divulgação/Departamento de Estado dos EUA
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorização para que o político receba a visita do norte-americano Darren Beattie, assessor sênior do governo de Donald Trump para políticas relacionadas ao Brasil.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão na unidade conhecida como Papudinha, em Brasília, após condenação por tentativa de golpe de Estado. Como o ministro Alexandre de Moraes é o relator do processo, qualquer visita ao ex-presidente depende de autorização do magistrado.
No pedido encaminhado ao STF, os advogados solicitam que o encontro ocorra no dia 16 de março, uma segunda-feira, ou no dia 17, terça-feira.
Darren Beattie foi nomeado recentemente para um cargo no Departamento de Estado dos Estados Unidos e tem entre suas atribuições propor e acompanhar políticas do governo norte-americano voltadas para o Brasil. O assessor é crítico do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e também da atuação de Moraes nos processos relacionados à investigação sobre a tentativa de golpe de 2022.
Em declarações públicas, Beattie já classificou o ministro do STF como "principal arquiteto da censura e perseguição a Bolsonaro". No site do Departamento de Estado dos Estados Unidos, ele é descrito como "um defensor entusiasta da promoção ativa da liberdade de expressão como ferramenta diplomática".
As manifestações de Beattie sobre o caso envolvendo Bolsonaro já provocaram repercussão diplomática entre Brasil e Estados Unidos. Em 2025, uma publicação feita por ele na rede social X criticando o ministro Alexandre de Moraes levou o Ministério das Relações Exteriores a convocar o principal diplomata norte-americano em Brasília para prestar esclarecimentos.
Moraes foi o relator do processo criminal que resultou na condenação de Bolsonaro pela Primeira Turma do STF.
Em meio às tensões envolvendo o caso, os Estados Unidos também anunciaram sanções contra o ministro, acusando-o de autorizar detenções preventivas consideradas arbitrárias e de restringir a liberdade de expressão ao conduzir investigações relacionadas à suposta trama golpista.
Após o anúncio das sanções, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, agradeceu publicamente a Beattie em uma postagem nas redes sociais.
Darren Beattie já esteve envolvido em outras polêmicas na política norte-americana. Durante o primeiro mandato de Donald Trump, ele atuou como redator de discursos da Casa Branca, mas foi demitido em 2018 após participar de um evento frequentado por nacionalistas brancos.
Durante a campanha presidencial de 2024 nos Estados Unidos, Beattie também afirmou que integrantes da comunidade de inteligência do país poderiam estar envolvidos em tentativas de assassinato contra Trump.
O assessor ainda enfrentou acusações de racismo e sexismo após publicar nas redes sociais que “homens brancos competentes devem estar no comando se você quiser que as coisas funcionem”.


