Alvo de investigação, presidente do Supremo da Bolívia deixa o país e diz ter recebido ameaças
O magistrado acusa o governo do presidente Rodrigo Paz de perseguição política

Foto: Foto: Reprodução / Redes sociais
O presidente do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Bolívia, Romer Saucedo, deixou o país após afirmar que recebeu ameaças de morte e passou a temer pela segurança da família. O magistrado, de 38 anos, também acusa o governo do presidente Rodrigo Paz, de centro-direita, de perseguição política.
A saída ocorre enquanto Saucedo é investigado pelo Ministério Público por suspeita de tráfico de substâncias controladas e associação criminosa. Segundo o órgão, há pelo menos duas investigações contra ele e uma ordem de prisão já foi expedida.
O procurador-geral interino, José Armando Urioste, informou que o Ministério Público pretende solicitar à Interpol a emissão de um alerta vermelho para localizar o magistrado.
Nas redes sociais, Saucedo afirmou que teme ser preso ou morto por contrariar interesses políticos. Ao justificar a decisão de deixar o país, mencionou o assassinato de outra pessoa que, segundo ele, também teria sido alvo de interesses de grupos corruptos.
“Mataram-no porque afetou interesses de corruptos e são cúmplices aqueles que até hoje encobrem esse fato. Não quero que me aconteça o mesmo, por isso prefiro ir-me embora”, escreveu no X, antigo Twitter.
Em outra publicação, o magistrado negou ter renunciado ao cargo e afirmou que pretende retornar à Bolívia quando houver garantias de segurança para ele e seus familiares.
Saucedo também acusou o governo de já ter articulado sua substituição e reafirmou que não pretende deixar a função. “O governo já tem um acordo com quem se pretende que exerça a minha suplência. Quero dizer-lhes uma coisa muito clara: não vou renunciar ao cargo que me deu o voto do povo cruceño!”, disse.


