Aliados de Flávio Bolsonaro atribuem derrota a excesso de confiança, Pablo Marçal e distribuição de lideranças
A reação do candidato derrotado também é um fator que provoca desconforto entre os integrantes da oposição

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Com a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, a oposição abriu uma busca por culpados entre integrantes da campanha e aliados do senador. Entre os principais caminhos, está o excesso de confiança, estratégia de confronto com o petista, a distribuição de lideranças pelos estados e participação de Pablo Marçal na preparação para os debates.
De acordo com o jornal O Globo, um dos questionamentos dos aliados é que Flávio e integrantes de seu entorno passaram a agir como se a vitória estivesse certa, ao invés de concentrar esforços na mobilização de eleitores até o último momento.
A estratégia escolhida para enfrentar Lula também foi questionada, principalmente pelo fato de Flávio ter concordado excessivamente com o adversário, sobretudo ao prometer manter benefícios e políticas públicas do atual governo.
Os aliados apontam que faltou do senador pontuar as diferenças em relação ao petista e explorar com mais intensidade as críticas às medidas econômicas.
Um integrante da campanha ouvido pela reportagem chegou a ironizar que, de tanto repetir os compromissos assumidos por Lula, Flávia parecia fazer campanha para o PT.
Outra insatisfação é a distribuição de líderes pelos estados. Aliados apontam como um erro deslocar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) para agendas no Nordeste. A avaliação geral é que os dois deveriam ter concentrado esforços em São Paulo e Minas Gerais.
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Preparação de Marçal para os debates
Outro erro debatido entre os interlocutores é a participação de Pablo Marçal na preparação de Flávio para o debate da Band. Eles avaliam que o influenciador não deveria ter sido incluído à preparação devido as divergências internas que sua presença provocou.
O episódio marcou um desconforto pela relação de Marçal com o marqueteiro Duda Lima, agredido por um assessor do influenciador durante a campanha municipal de São Paulo, em 2024. Segundo relatos, Duda e o prefeito Ricardo Nunes, que também participou da preparação, não mantinham diálogo com Marçal e isso teria contribuído para escolher um tom que Flávio deveria adotar diante do petista.
Reação de Flávio à derrota
Os integrantes da campanha também criticaram a conduta de Flávio Bolsonaro após ser derrotado no domingo (25). Para eles, foi precipitado o anúncio de que não reconheceria a vitória de Lula e que recorreria ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Um dos interlocutores classificou como "patética" a reação de Flávio que, segundo ele, se comportou como "mau perdedor".
Para o grupo, a campanha de Flávio deve se concentrar na decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a extensão do horário de votação. Além disso, questionar o suposto abuso de poder político e econômico sobre os anúncios feitos por Lula na reta final da disputa.
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