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ACM Neto liderou transporte de R$ 5 milhões em dinheiro vivo através de jatinho, aponta PF

Candidato ao governo da Bahia também teria chefiado organizado criminosa que desviou R$ 1,4 bilhão em BH

Por Da Redação
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Atualizado
ACM Neto liderou transporte de R$ 5 milhões em dinheiro vivo através de jatinho, aponta PF

Foto: Assessoria/Reprodução/PF

Apontado como líder de uma organização criminosa que operava um esquema de fraude dentro da prefeitura de Belo Horizonte, em Minas Gerais, o candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (UB), teria participado do planejamento do transporte de parte do dinheiro ilícito em espécie dentro de malas que foram levadas dentro de jatinho em voos fretados. A informação é do Núcleo Investigativo do ICL Notícias, com base no relatório da Polícia Federal no âmbito da Operação Overclean.

De acordo com o relatório da PF, ACM Neto “exerce a função de liderança da organização criminosa constituída para obtenção de recursos públicos a partir de contratos públicos superfaturados”.

A menção ao ex-prefeito de Salvador também mostra o elo entre Neto e o empresário Marcos Moura, conhecido como "Rei do Lixo", nas negociações com o então prefeito de BH, Fuad Noman (PSD), morto em março do ano passado. 

Em uma das conversas resgatadas pela PF, logo depois de ser reeleito em BH, Noman iniciou as tratativas com Marcos Moura para formar um novo secretariado, no dia 2 de dezembro de 2024. No diálogo, o ex-prefeito menciona que o empresário tinha o direito de escolher quais secretarias queria indicar na nova gestão. 

Em uma foto enviada por Noman, o ex-prefeito escreveu à mão em um papel: “secretaria de combate à fome (subsecretaria 1; subsecretaria 2)” e “secretaria de mobilidade urbana (subsecretaria 1; subsecretaria 2)”. Ainda na imagem, é possível observar que Noman escreve duas vezes para o Rei do Lixo: "escolhe". 

Na sequência, Marcos Moura responde que vai conversar com o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, e com ACM Neto, e que retornaria a Noman depois. 

Depois dessa conversa, a PF identificou uma ligação de sete minutos entre Marcos Moura e ACM Neto. Após o telefonema, o Rei do Lixo retoma a conversa com Noman e diz: “pode ser as duas mais educação e abrindo mão do governo?”

O ex-prefeito cita um acordo com o PT, mas se coloca à disposição para rever as tratativas. Marcos Moura responde: “O senhor quer permanecer com o Bruno, né?”. E o ex-prefeito responde: “Sim. Vocês querem mudar?”. 

Segundo o ICL Notícias, o Bruno mencionado é Bruno Barral, ex-secretário de educação de BH. Ele foi indicado ao cargo em março de 2024 e seguiu no posto após a reeleição de Noman. 

Bruno Barral era assessoria por Flávia Bittencourt, que de acordo com a PF, "desempenhou importante papel na organização criminosa ao coordenar a montagem de processos das contratações fraudulentas”. Em mensagens extraídas do celular dela, a assessoria admite a um interlocutor que sua indicação foi aprovada por ACM Neto. 

Antes de assumir o cargo na Prefeitura de BH, Flávia trabalhava na função de Gerente Central de Materiais e Patrimônio da prefeitura de Salvador, durante o segundo mandato de ACM Neto, entre 2020 e 2024.

A defesa de Marcos Moura e ACM Neto foram procurados pela reportagem mas não responderam aos questionamentos. Já Bruno Barral e Flávia Bittencourt não foram localizados. 

Malas com dinheiro em jatinho

A Polícia Federal também identificou que o grupo criminoso movimentou dinheiro vivo através do transporte de aeronaves fretadas entre São Paulo e Salvador. 

Logo após a empresa Brasil Sustentável vencer a licitação dos livros paradidáticos de BH, o Rei do Lixo teria ordenado que um homem, identificado como Clebson Oliveira, viajasse levando o dinheiro estimado em R$ 5 milhões, em espécie. A viagem aconteceu no dia 19 de novembro de 2024.

A PF ainda identificou que, durante o voo, Marcos Moura ligou para ACM Neto, em uma conversa de quase três minutos. Entre agosto e dezembro de 2024, o político baiano e o Rei do Lixo conversaram 232 vezes, de acordo com a PF.

Apesar da citação no relatório da PF que há “fundadas suspeitas de que a organização criminosa é encabeçada por ACM Neto”, o ex-prefeito não foi indiciado. 

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