5 lugares mágicos para mergulhar — e fotografar — no Brasil e no mundo!
Fotógrafa subaquática premiada lista os destinos que tiraram seu fôlego, do Recife à Indonésia

Foto: Divulgação
Com a chegada do verão e das altas temperaturas, cresce a procura por destinos ligados ao mar e por experiências ao ar livre. Esse movimento acompanha a expansão do turismo de mergulho, que deve movimentar cerca de US$ 8,8 bilhões globalmente até 2030, segundo projeções da Grand View Research, mantendo crescimento médio anual de 10,4%. Nesse cenário, alguns destinos se destacam não apenas pela beleza, mas pelas condições únicas que oferecem debaixo d’água — e acabam se tornando recorrentes para quem é apaixonado pelo fundo do mar. É a partir dessa vivência que Fabi Fregonesi, fotógrafa subaquática reconhecida internacionalmente e primeira pessoa brasileira a subir ao pódio do Underwater Photographer of the Year — considerado o “Oscar” da fotografia subaquática —, reúne os lugares que mais marcaram sua trajetória. Da costa brasileira ao outro lado do mundo, são destinos que seguem entre seus favoritos tanto para mergulhar quanto para fotografar. A seguir, Fabi compartilha sua lista de favoritos:
Galápagos
O arquipélago de Galápagos, no Equador, é considerado por Fregonesi um “acontecimento na Terra”. O destaque vai para a biodiversidade, com várias espécies endêmicas — ou seja, que só existem por lá — e a ausência de medo dos animais em relação aos humanos, resultado de milhões de anos de isolamento sem predadores naturais. Assim, os encontros debaixo d’água podem ser mais intensos e próximos do que em qualquer outro lugar.
“Eu costumo falar que existe Galápagos e existe o resto do mundo, de tão único que esse lugar é. As condições para fotografia, particularmente, são desafiadoras, por conta das correntes fortes e imprevisíveis, mas isso não diminui a experiência. É realmente insubstituível”, complementa a fotógrafa.
Estreito de Lembeh
No norte da ilha de Sulawesi, na Indonésia, o Estreito de Lembeh é referência mundial para mergulhadores e fotógrafos que gostam de tirar fotos macro. Ele também é reconhecido pelo muck diving, um tipo de mergulho realizado na lama ou entre detritos como galhos e folhas. Ao invés de recifes de coral coloridos, a maioria dos locais de mergulho apresenta um fundo de areia vulcânica escura. À primeira vista, pode não parecer atraente, mas é essa característica que permite a proliferação de uma vida marinha pequena, rara e muito diversificada.
O Estreito de Lembeh também possibilita o blackwater diving, que consiste em fazer um mergulho noturno em oceano aberto. “A ideia principal é aproveitar a migração vertical diária, o maior movimento de biomassa do planeta. Todas as noites, bilhões de criaturas marinhas sobem das profundezas para se alimentar. É possível ver muitos animais em seus estágios larvais e juvenis, e eu já consegui fotografar algumas espécies dessa maneira”, explica Fabi.
Polinésia Francesa
“Desde que eu vi um documentário há alguns anos, sempre foi meu sonho mergulhar na Polinésia, principalmente em Fakarava, que foi considerada Reserva da Biosfera pela UNESCO”, conta Fregonesi. Ao realizar o sonho, em 2022, ela se surpreendeu não apenas com Fakarava, mas também com outras localidades da região, como Rangiroa e Moorea.
Cada destino é ideal para encontrar determinado tipo de animal: Fakarava para tubarões, Rangiroa para os golfinhos e Moorea para baleias jubarte. “ É tudo tão especial que eu, literalmente, chorei debaixo d’água”, revela.
África do Sul (Corrida das Sardinhas)
A Corrida das Sardinhas, ou Sardine Run, é um fenômeno natural que ocorre anualmente na costa leste da África do Sul, geralmente entre os meses de maio e julho. É considerada a maior migração animal do planeta, superando até mesmo a migração anual de gnus no Serengeti. Assim, ela atrai uma grande concentração de predadores como tubarões, golfinhos, baleias e aves marinhas. É uma oportunidade de ver a natureza agindo em sua forma mais selvagem.
“É uma escolha desafiadora, já que é um mergulho em água fria, muitas vezes com pouca visibilidade, horas esperando em alto mar dentro de um bote inflável, e muitas vezes a ação é tão rápida que acaba antes de você conseguir pular na água. É um jogo de busca constante, esperando o que a natureza vai te oferecer. Mas, por isso mesmo, é absolutamente inesquecível”, comenta Fabi.
Recife
Para a fotógrafa, Recife oferece o melhor do mergulho no Brasil. Embora Fernando de Noronha normalmente seja o destino mais lembrado, Recife carrega o título de Capital Brasileira dos Naufrágios, com mais de 30 pontos acessíveis, incluindo desde embarcações históricas até navios afundados propositalmente para formar recifes artificiais. Diferente de outros lugares onde naufrágios podem ser estruturas "estéreis", no Recife eles fervilham de vida.
“É fascinante observar como a natureza tomou conta dessas estruturas, transformando-as em ecossistemas complexos onde encontramos grandes meros, cardumes imensos de enxadas, tubarões lixa e uma diversidade de corais e esponjas. A visibilidade costuma ser excelente, beneficiada por correntes que trazem águas claras e quentes. É o cenário perfeito para quem busca a experiência do mergulho em naufrágio combinada com a explosão de biodiversidade brasileira”, conclui Fabi.
Sobre Fabi Fregonesi
Fabi Fregonesi é uma fotógrafa subaquática brasileira que transformou uma virada pessoal em propósito profissional, unindo arte e conscientização ambiental. Depois de duas décadas na publicidade, passou a usar a fotografia como meio de inspirar novas formas de olhar e preservar o mar.
Reconhecida internacionalmente por sua técnica e sensibilidade, foi a primeira brasileira a subir ao pódio do Underwater Photographer of the Year, alcançando o 3º lugar na categoria “Wrecks” (Naufrágios), entre mais de 6.500 imagens inscritas. Com mais de 30 prêmios internacionais em apenas dois anos — como One Eyeland Award e Ocean Geographic Pictures of the Year —, Fabi se consolida como uma das principais referências da fotografia de natureza e arte subaquática no país.


